Casa do Pintor Victor Meirelles de Lima no Bairro da Gloria, Rio de Janeiro
A Cidade do Rio de Janeiro desempenhou o papel de capital do Brasil por quase 200 anos, desde 1763 ainda no período colonial, até 21 de abril de 1960, quando a sede do governo federal foi transferida para Brasília. Por esse motivo a Cidade possui uma concentração única de prédios históricos. O Rio de Janeiro respira história em cada prédio antigo.

Localizada na Rua Benjamin Constant número 30A no bairro da Gloria, onde hoje funciona a Escola de Dança da bailarina e coreografa Deborah Colker, está a antiga casa do Pintor Victor Meirelles de Lima (18 de Agosto de 1832 - 22 de Fevereiro de 1903). Ele foi considerado um dos principais artistas do Segundo Reinado, foi admitido como aluno na Academia Imperial de Belas Artes aos quatorze anos de idade devido ao seu talento em desenho.
Em 1852, com apenas 20 anos de idade, venceu o Prêmio de Viagem a Europa com a pintura São João Batista no Cárcere e foi estudar na Itália, onde teve aulas com grandes mestres. Foi lá que executou entre 1858 e 1861 sua obra mais conhecida "A Primeira Missa no Brasil", que lhe rendeu muitos elogios no Salão de Paris, um feito inédito para um artista brasileiro naquela época. No mesmo ano sua bolsa na Europa terminou e ele teve de retornar ao Brasil, já festejado como um gênio. Expôs a Primeira Missa e entre muitas homenagens recebeu do Imperador D. Pedro II a Imperial Ordem da Rosa no grau de cavaleiro.

Tornou-se um dos pintores preferidos de D. Pedro II, inserindo-se no programa de incentivo e patrocínio de artistas do monarca e alinhando-se à sua proposta de renovação da imagem do Brasil através da criação de símbolos visuais de sua história. Conquistou o posto de professor da Academia Imperial de Belas Artes, formando uma geração de grandes pintores, e continuou seu trabalho pessoal realizando outras pinturas históricas importantes, como a "Batalha dos Guararapes", a "Moema" e o "Combate Naval do Riachuelo", bem como retratos e paisagens, onde se destacam o Retrato de Dom Pedro II e suas três grandes obras em formato panorâmico, uma representando a paisagem do Rio de Janeiro, outra mostrando o Descobrimento do Brasil, e outra a entrada da Esquadra Legal na baía de Guanabara. Nas obras panorâmicas ele evidencia sua abertura para um novo modo de ver e conceber a paisagem caracteristicamente moderno, influenciado também pela fotografia, que surgia como a grande novidade da tecnologia de imagem e desde logo serviu como auxílio para os pintores comporem suas obras.
Em 1889, com a Proclamação da República, veio a perseguição política aos artistas oficiais da Monarquia e em 1890 foi demitido precocemente da Academia Imperial, agora transformada em Escola Nacional de Belas Artes. Ficou em sérias dificuldades financeiras, sobrevivendo da ajuda de amigos e na manhã de um domingo de carnaval, em 22 de fevereiro de 1903, Victor Meirelles morreu aos 71 anos, na casa da Rua Benjamin Constant onde vivia.
Hoje, tem suas obras expostas nos maiores museus nacionais e é nome de ruas e colégios. Foi biografado por Carlos Rubens, Argeu Guimarães, Ângelo de Proença Rosa e outros, e o Museu Victor Meirelles, localizado em sua cidade natal, Florianópolis, é dedicado a preservar sua memória, além de o Museu de Arte de Santa Catarina manter um Salão Nacional que leva o seu nome.
Fonte: Arquivos do Museu Victor Meirelles



Rafael Costa Pesqueira

Parabéns Rafael, texto bem elucidativo e belas fotos! É importante chamar atenção, para manter a memória viva de grandes personagens da nossa história.
Aguardamos a próxima coluna