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REVISTA DO VILLA

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Cabo Verde no coração!

"Eu tenho três equipas nesta Copa 2026: Portugal, Brasil e Cabo Verde. 

Mas sejamos honestos: Cabo Verde não está apenas a jogar. Cabo Verde está a SONHAR."

Por Pedro Ramos


Foto: Queila Fernandes/AFP/Getty Images
Foto: Queila Fernandes/AFP/Getty Images

Há dias em que o futebol deixa de ser só futebol. Vira destino, vira memória, vira sonho coletivo. E é exatamente isso que eu sinto quando olho para Cabo Verde nesta Copa do Mundo (Mundial de Futebol): não como um observador distante, mas como um lusófono inteiro que reparte a alma entre Portugal, Brasil e Cabo Verde.... Com Cabo Verde, neste momento, a bater mais forte no coração. 


Eu tenho três equipas nesta Copa 2026: Portugal, Brasil e Cabo Verde. 

Mas sejamos honestos: Cabo Verde não está apenas a jogar. Cabo Verde está a SONHAR. E há sonhos que não se explicam por ranking, não se medem por orçamento (budget), não se reduzem a estatísticas.

Há sonhos que se medem pela forma como fazem um povo inteiro levantar a cabeça e dizer: “também nós.” 


Amanhã, frente a Espanha, o desafio é gigantesco. E eu digo isto com todo o respeito (e até com carinho!) porque Espanha é uma das minhas casas, uma das minhas alegrias, um lugar onde sou feliz, onde estudei, onde tenho a minha filha, onde a vida me tratou bem. Por isso, quando digo “força Cabo Verde”, não é contra Espanha.

É a favor do impossível bonito que o futebol às vezes permite. 


Em Portugal, costumamos brincar com o ditado: “De Espanha, nem bons ventos nem…” -  e o futebol adora estas provocações, porque a bola também vive de ironia, de história e de memória. Mas amanhã eu não quero ventos contra ninguém. Quero apenas ventos a favor de Cabo Verde. Porque há equipas que entram em campo para disputar um jogo. E há equipas que entram em campo para representar muito mais do que isso. 


Foto: Didier Lefa/Shengolpixs/IMAGO
Foto: Didier Lefa/Shengolpixs/IMAGO

Cabo Verde é uma delas. Os Tubarões Azuis estão a viver algo maior do que um calendário ou um grupo. Estão a viver uma afirmação. E eu tive o privilégio de estar com eles na minha última passagem pela Cidade da Praia e saí de lá profundamente impressionado; não apenas pela qualidade futebolística, mas pela qualidade da liderança, da coesão, da entrega e do sentido de equipa. E isto é MÁGICO! 


E eu digo isto como homem de Pessoas, de Lideranças e de Organizações: há grupos que têm talento. Há equipas que têm disciplina. E há raras equipas que têm alma. Cabo Verde deu-me a sensação de ter as três.

Estamos juntos! 


A beleza do sonho

O que Cabo Verde está a fazer nesta Copa do Mundo é muito mais do que competir. É provar que o sonho também tem direito a camisola (camiseta, como se diz aqui no Brasil onde escrevo!) a estratégia, a coragem e a identidade.

É lembrar ao mundo que o futebol não pertence apenas aos gigantes; pertence também a quem ousa chegar com dignidade, organização e coração. 


E talvez seja por isso que esta seleção emocione tanto. Porque não se trata só de vencer.

Trata-se de existir com grandeza. De entrar em campo sem pedir licença ao tamanho do país.

De mostrar que a liderança pode ser serena, que a equipa pode ser compacta, que a ambição pode ser humilde e, ainda assim, enorme. 


Quando vejo os Tubarões Azuis, vejo mais do que jogadores. Vejo uma ideia de país. Vejo um povo que não quer ser pequeno na emoção. Vejo uma seleção que está a ensinar o que significa acreditar com método e lutar com elegância. 


O que eu vi na Praia

Na minha última estada na Cidade da Praia, vi organização, vi disciplina, vi liderança e vi uma equipa que sabe exatamente o que representa. Isso impressiona-me sempre, porque eu trabalho com organizações, equipas e lideranças há demasiado tempo para me deixar seduzir apenas pelo entusiasmo. 


O que me tocou em Cabo Verde foi outra coisa: a seriedade do sonho. Não a fantasia. Não o slogan. A seriedade. Aquele tipo de energia que diz que uma equipa não está apenas a participar; está a construir um legado. 


E isso, para mim, é o mais bonito do desporto. Quando uma seleção faz com que um povo se veja maior do que o habitual. Quando uma equipa faz uma nação inteira sentir que a identidade também pode ser ofensiva, inteligente, compacta e corajosa. 


Por isso, eu e todos... Somos Todos Cabo Verde! 


Amanhã, Tubarões Azuis

Por isso, amanhã, frente a Espanha, eu estarei com Cabo Verde. Estarei com os Tubarões Azuis.

Estarei com o sonho, com a coragem, com a dignidade e com a beleza de uma seleção que está a dizer ao mundo que o coração também joga. 

E deixo a provocação final com ternura: já que em Portugal dizemos que de Espanha nem bons ventos… mas amanhã, sinceramente, eu só espero bons ventos para Cabo Verde.

Porque há sonhos que merecem ser empurrados pelo vento certo. E este é um deles. Ventos de Mudança e de Celebração!


 

Pedro Ramos

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