Braga ganha novo museu de arte contemporânea com obras de Picasso, Paula Rego e Nan Goldin
Instalado no reabilitado Palacete Vilhena Coutinho, o MUZEU nasce de uma coleção com cerca de 1.500 obras e amplia o roteiro cultural da cidade para além de seus monumentos históricos.

Braga é uma das cidades mais antigas de Portugal. Conhecida pela Sé, considerada a catedral mais antiga do país, e pelo Santuário do Bom Jesus do Monte, inscrito na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2019, a cidade ganhou em 2026 um novo endereço cultural no coração do centro histórico.
É o MUZEU — com Z mesmo. Aberto ao público em 25 de abril, o MUZEU – Pensamento e Arte Contemporânea dst ocupa o Palacete Vilhena Coutinho, edifício que durante décadas abrigou o Tribunal Judicial de Braga. A iniciativa integra o dstgroup e dá uma nova função a um imóvel histórico situado a poucos passos da Câmara Municipal.
O museu nasceu a partir da coleção de arte contemporânea do grupo, construída ao longo de aproximadamente quatro décadas. São cerca de 1.500 obras de 240 artistas portugueses e internacionais. Nem todo esse acervo está exposto: a mostra inaugural reúne mais de cem obras de 96 artistas, com curadoria de Helena Mendes Pereira.
Um palacete histórico voltado ao presente
O projeto arquitetônico é assinado pelo arquiteto bracarense José Carvalho Araújo. A intervenção reabilitou o Palacete Vilhena Coutinho e organizou cerca de 3 mil metros quadrados de área expositiva distribuídos por quatro pisos. No quinto andar fica a Assembleia, auditório com capacidade para 150 pessoas, pensado para debates, conferências e outras atividades.
Essa dimensão ajuda a explicar o nome completo da instituição. O MUZEU não pretende funcionar apenas como lugar de contemplação: sua programação inclui encontros, concertos, dança, performance e oficinas de filosofia para crianças. A agenda varia ao longo do ano e deve ser consultada no site oficial.

Uma coleção construída ao longo de quatro décadas
A exposição inaugural, “Sejamos realistas, exijamos o impossível”, organiza as obras em torno de temas como memória, poder, identidade, trabalho, resistência e liberdade. Entre os nomes apresentados estão Pablo Picasso, Paula Rego, Helena Almeida, Pedro Cabrita Reis, Nan Goldin, Annie Leibovitz, Julião Sarmento e Ângela Ferreira.
Um dos núcleos de destaque é a sala dedicada ao artista alemão Anselm Kiefer. A presença de artistas de diferentes gerações e geografias deixa claro que a proposta não é contar uma história linear da arte, mas criar aproximações, contrastes e perguntas a partir das obras.
Uma visita em família — e a vontade de voltar
Fui ao MUZEU com minha família e essa experiência também orienta o meu olhar sobre o espaço. Visitar uma exposição com uma criança pequena muda o ritmo: há pausas, perguntas inesperadas e obras que chamam a atenção por razões muito diferentes das nossas. Não percorremos tudo com a mesma demora — e tudo bem. Saí de lá com a certeza de que quero voltar, inclusive para rever com mais tempo alguns núcleos da exposição.
A visita também confirma que Braga não se resume à Sé, ao Bom Jesus ou à boa mesa — referências incontornáveis, naturalmente, e assuntos aos quais ainda voltarei por aqui. Há uma cidade contemporânea ganhando novas camadas, e o MUZEU passa a integrar esse roteiro.
Para quem viaja pelo Norte de Portugal, a localização facilita a inclusão do museu em um passeio pelo centro histórico. Para quem vive em Braga, a entrada gratuita e o horário estendido às quintas-feiras tornam mais simples voltar e acompanhar a programação. É exatamente o que pretendo fazer.

SERVIÇO:
MUZEU – Pensamento e Arte Contemporânea dst
Endereço: Praça do Município, 62, 4700–435 Braga, Portugal
Horário: terça, quarta, sexta e sábado, das 11h às 19h; quinta-feira, das 11h às 23h.
Entrada: gratuita todas as quintas-feiras. Para os demais dias, consultar valores e condições na bilheteira oficial.
Contato: +351 253 791 010 | info@muzeu.com
Site: www.muzeu.com
Julia Morales

Comentários