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REVISTA DO VILLA

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Bolinha: o comunicador que abriu portas para gerações de artistas e marcou a televisão brasileira

Edson Cabariti transformou simplicidade, irreverência e talento em um dos programas de auditório mais populares da história da TV


'Bolinha' Imagem: Reprodução
'Bolinha' Imagem: Reprodução

Existem personalidades da televisão que atravessam gerações. Mesmo quem não viveu o auge de suas carreiras conhece seus nomes e reconhece a importância que tiveram para a história da comunicação no Brasil. Com Bolinha foi exatamente assim.

Nasci em 1993. Quando Bolinha se despediu da televisão, eu ainda era uma criança e, por isso, não tive a oportunidade de acompanhar seu trabalho. Mesmo assim, seu nome sempre foi citado como referência entre os grandes apresentadores do país. Ao assistir recentemente a uma emocionante homenagem conduzida pela cantora e apresentadora Viviane Vidmar, em seu canal no YouTube, com a participação da filha do Bolinha, Vitória Cury, e de diversos artistas que passaram pelo Clube do Bolinha, compreendi por que seu legado continua tão vivo na memória da televisão brasileira.

Entre histórias de bastidores, lembranças emocionantes e depoimentos de gratidão, ficou evidente que Bolinha fez muito mais do que comandar um programa de auditório. Ele acolhia talentos, incentivava carreiras e fazia questão de abrir espaço para quem ainda buscava uma oportunidade de mostrar seu trabalho ao Brasil.

Foi essa emoção que me inspirou a revisitar a trajetória de Edson Cabariti "o eterno Bolinha" e recordar a história de um homem que transformou simplicidade, espontaneidade e carisma em uma das carreiras mais marcantes da televisão brasileira.


Abertura "Clube do Bolinha" Imagens: TV Bandeirantes

Antes da fama, Edson Cabariti conheceu de perto as dificuldades da vida.

Filho de imigrantes de origem síria e turca, cresceu trabalhando em diversas profissões. Foi engraxate, mascate, feirante, balconista, cobrador de ônibus e vendedor ambulante. Essa vivência moldou seu jeito espontâneo de conversar com o público e fez com que jamais perdesse a simplicidade, mesmo depois de se tornar um dos maiores apresentadores do país.

Foi justamente essa facilidade para lidar com as pessoas que abriu as portas do rádio e, posteriormente, da televisão.


Imagem: Acervo Tv.Brasileira
Imagem: Acervo Tv.Brasileira

O acaso que mudou sua carreira

Sua entrada definitiva na história da televisão aconteceu quase por acaso. Em 1967, na TV Excelsior, o apresentador foi chamado às pressas para substituir Chacrinha, que havia deixado a emissora após um desentendimento.

O desempenho surpreendeu tanto a direção quanto o público.

O comunicador improvisava, brincava e dominava o palco de maneira natural. Ali nascia definitivamente o personagem Bolinha.

O Clube do Bolinha virou fenômeno nacional


Em 1974, já na Band, estreava o programa que o eternizaria.

Durante aproximadamente vinte anos, o Clube do Bolinha reuniu música, humor, dança, concursos e participação popular, tornando-se um dos programas de maior audiência das tardes de sábado.


As famosas Boletes, suas camisas estampadas, o jeito irreverente de comandar o palco e o incentivo constante aos artistas iniciantes transformaram a atração em uma verdadeira vitrine da música brasileira.

Muito antes dos realities musicais, Bolinha já descobria talentos.



Diversos artistas passaram pelo palco do programa antes da fama nacional,

entre eles: Leandro & Leonardo; Chitãozinho & Xororó; Alan & Aladim; Margareth Menezes; Sidney Magal; Wando; Amado Batista; Fafá de Belém; Agnaldo Timóteo; Jair Rodrigues; Moacyr Franco.

Muitos retornariam anos depois apenas para agradecer ao apresentador pelo espaço que receberam quando ainda Muito além do entretenimento.


Embora fosse lembrado pelo humor e pela alegria, Bolinha teve um papel importante na democratização da televisão. Seu palco recebia artistas populares, sertanejos, sambistas, humoristas, transformistas, bailarinos e pessoas anônimas, oferecendo espaço para manifestações culturais que nem sempre encontravam visibilidade

em outras emissoras.



O programa refletia um Brasil diverso, espontâneo e popular, aproximando o público da televisão de uma maneira que poucos comunicadores conseguiram repetir.


A doença e a despedida

Em meados da década de 1990, Bolinha passou a enfrentar um câncer no aparelho digestivo.

Mesmo lutando contra a doença durante cerca de três anos, seu estado de saúde piorou rapidamente nos últimos meses de vida.

Na madrugada de 1º de julho de 1998, o apresentador morreu em São Paulo, apenas quinze dias antes de completar 62 anos.

Sua morte repercutiu em praticamente todos os telejornais e programas de entretenimento do país. Artistas, cantores e colegas de televisão prestaram homenagens emocionadas àquele que havia aberto portas para tantas carreiras.

O sentimento predominante era de que a televisão brasileira perdia um de seus comunicadores mais autênticos.


Imagem: Vitória Cury em entrevista ao programa 'Domingo Show' Divulgação Tv Record
Imagem: Vitória Cury em entrevista ao programa 'Domingo Show' Divulgação Tv Record

Vitória Cury: a guardiã da memória do pai

Depois da morte de Bolinha, sua filha, Vitória Cury, assumiu a missão de preservar a história construída pelo pai.

Ela passou a reunir fotografias, figurinos, documentos, gravações e objetos pessoais com o objetivo de criar o Instituto Edson Bolinha Cabariti, dedicado à preservação da memória do apresentador.

Em diversas entrevistas, Vitória revelou que considera essa uma missão de vida.

Também compartilhou lembranças dos últimos momentos ao lado do pai, demonstrando o forte vínculo familiar e o desejo de manter vivo seu legado para as novas gerações.

Um estilo que inspirou gerações

É impossível contar a história dos programas de auditório sem mencionar Bolinha. Seu jeito de conversar diretamente com o público, valorizar artistas iniciantes e conduzir atrações ao vivo influenciou diversos apresentadores que vieram depois.

Embora cada um tenha desenvolvido seu próprio estilo, comunicadores como Fausto Silva, Gugu Liberato, Ratinho e Raul Gil ajudaram a consolidar um formato de entretenimento popular do qual Bolinha foi um dos principais pioneiros.

Sua influência pode ser percebida na valorização da música ao vivo, dos quadros com participação popular e na figura do apresentador como alguém próximo do telespectador.


Acervo: História da Tv Brasileira
Acervo: História da Tv Brasileira

Um legado que permanece

Vinte e oito anos após sua partida, Bolinha continua sendo lembrado como um símbolo de uma época em que a televisão reunia famílias inteiras diante da tela.

Mais do que um animador de auditório, foi um comunicador que acreditava no talento das pessoas, incentivava novos artistas e fazia da simplicidade sua maior marca.

Em tempos de formatos cada vez mais tecnológicos, sua trajetória permanece como um exemplo de que o carisma, a autenticidade e o respeito ao público continuam sendo ingredientes insubstituíveis para quem deseja permanecer na memória coletiva.

Porque alguns apresentadores fizeram sucesso. Bolinha fez história.


Igor Alcantara


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