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Aveiro: moliceiros, ovos moles e uma surpresa no Museu Arte Nova

8 de out.
2 min de leitura

Aveiro talvez não tenha a mesma projeção de Lisboa e Porto entre os destinos portugueses, mas me surpreendeu. Na viagem em família para celebrar sete anos de casamento, eu esperava encontrar canais, barcos coloridos e ovos moles. Encontrei tudo isso — e ainda um palacete lindo e uma exposição sobre mulheres no início do século XX que ficou comigo.


Julia Morales  - Foto: Arquivo pessoal
Julia Morales  - Foto: Arquivo pessoal

O passeio de moliceiro foi um dos momentos de que mais gostei. O senhor que nos conduzia contou histórias da cidade e explicou a importância do sal para a região. Enquanto navegávamos pelos canais da Ria, a paisagem ganhou outro sentido: a água não era apenas um cenário bonito, mas parte da história e da vida de Aveiro. A ligação da cidade com o sal remonta ao século X. Durante muito tempo, a salicultura teve importância para a economia local e continua presente na memória da região.


E há uma diferença que vale explicar: muita gente chama os moliceiros de “gôndolas de Aveiro”, mas eles são barcos tradicionais da Ria, com uma história própria. O nome vem do moliço, plantas aquáticas que essas embarcações eram usadas para recolher e transportar. O moliço servia como fertilizante nos campos e teve importância na economia local. Hoje, os barcos também levam visitantes pelos canais. Em 2025, a arte da carpintaria naval do moliceiro foi inscrita pela UNESCO na Lista do Património Cultural Imaterial que Necessita de Salvaguarda Urgente.

Aveiro também é conhecida pelos ovos moles, e eu comi vários. Feitos com ovos, açúcar e água, eles seguem uma receita conventual transmitida ao longo das gerações. As formas de hóstia que envolvem o doce fazem referência à relação da cidade com a Ria e o mar.


Foto: Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal

A surpresa maior veio no Museu Arte Nova. O edifício, conhecido como Casa do Major Pessoa, foi construído entre 1907 e 1909 para a família de Mário Belmonte Pessoa e hoje abriga o museu. A fachada é impressionante, com linhas curvas, motivos inspirados na natureza e uma combinação de materiais que merece ser observada com calma. Há outros edifícios Arte Nova pela cidade, mas visitar esse palacete por dentro foi especial.


No último piso, encontrei “Mais que pó-de-arroz. Mulheres em 1900”.

A exposição apresenta diferentes perspectivas sobre as mulheres naquele período: da figura feminina que inspirava a Arte Nova às mulheres artistas e às mudanças no seu papel na sociedade. Gostei muito da mostra. Saí pensando em quantas histórias podemos descobrir quando olhamos para a arte também a partir de quem a criou e de quem foi representada. A exposição estava em cartaz durante a nossa visita, em outubro de 2026.


Voltei de Aveiro com a lembrança dos canais, dos moliceiros e dos ovos moles, claro. Mas também com a imagem do palacete e com a exposição no último andar. Foi uma viagem que me apresentou uma cidade com muito mais para contar do que eu imaginava.


Foto: Julia Morales  
Foto: Julia Morales  

Julia Morales  

Jornalista | Branding & Digital Content  




Julia Morales  


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