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REVISTA DO VILLA

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Artista visual Andrea Lins abre exposição “Importam quais histórias contam histórias”, no dia 7 de outubro, no Centro Cultural Correios, com curadoria de Christiane Laclau

há 12 minutos
6 min de leitura

Obras, em colagem de tela sobre tela e tinta automotiva sobre madeira, seguem explorando a paixão pela botânica que se afastam da observação das plantas para dar asas à sua imaginação em híbridos com formas que remetem a corpos, insetos e paisagens, fabulando um bioma inteiro  


Andrea Lins em auto retrato.
Andrea Lins em auto retrato.

No próximo dia 7 de outubro, das 16h às 19h, no Centro Cultural Correios, a artista visual Andrea Lins abre a exposição “Importam quais histórias contam histórias”, com curadoria de Christiane  Laclau, na qual exibe colagens de tela sobre tela e tinta automotiva sobre madeiras, explorando os temas botânicos que a encantam desde sua formação em ilustração botânica, mas inventando a natureza, em vez de reproduzi-la. Na  nova mostra, que fica em cartaz até o dia 28 de novembro, inspirada pela natureza, “Andrea afasta-se da observação direta da planta para compor híbridos: formas que remetem a corpos, insetos, paisagens inteiras, sem que se possa nomear com precisão a que espécie pertencem”, como explica a curadora Chris Laclau. Formada em comunicação visual, Andrea fez curso de Ilustração Botânica e Científica na Escola Nacional de Botânica Tropical (ENBT), em 2013, e de colagem e pintura na Escola  de Artes Visuais do Parque Lage (EAV).


“Importam quais histórias contam histórias”: Andrea Lins

A zoóloga e filósofa norte-americana Donna Haraway se dedica há décadas a borrar a fronteira entre os fatos “objetivos” da natureza e as histórias que os humanos contam sobre ela. O problema dessa separação, construída pela modernidade, é desconsiderar que toda descrição do mundo já é uma forma de narrativa, inclusive a científica. E, por sua vez, toda narrativa produz efeitos reais sobre o mundo que descreve ao ser contada. Não existe relato neutro. Por isso, segundo Haraway, “importam quais histórias contam histórias”. Existem histórias que fazem mundos; e estes fazem novas histórias possíveis. 


Esse movimento duplo é um motor para a artista Andrea Lins na presente exposição. A formação em Ilustração Botânica e Científica na Escola Nacional de Botânica Tropical a habituou a um desenho comprometido a corresponder precisamente à planta observada, documentando-a com exatidão para fins científicos. Tamanho rigor, tão apurado quanto restritivo, levou a outro caminho: o da pintura e das colagens de tela sobre tela, onde a natureza é inventada.


Nesta nova série, a artista manteve o diálogo com a paisagem de São Conrado, onde fica seu ateliê, mas se afastou da observação direta da planta, prática que era recorrente na sua pesquisa. Seu novo interesse são os híbridos, corpos construídos a partir de referências diversas da flora, da fauna, da paisagem, mas de modo sintético e singelo, sem a monstruosidade ou a tensão grotesca marcantes desse tipo na tradição artística.


Partindo da memória do que existe para imaginar o que ainda não existe, a artista cria flores que parecem carregar memória de outros seres e coisas além delas mesmas. É o caso das séries “Flora Pop”, “Flora Rock” e “Flora Jazz”. Em “Primavera no Sertão”, o movimento análogo tem como referência espécies reais e documentadas, como mandacaru, xique-xique, coroa-de-frade e juazeiro, das quais se extrai não a forma clássica do auge da floração, mas a da resistência à seca. Já a instalação “Flora Mix” é uma novidade absoluta, por também agregar uma nova linguagem ao repertório da artista. Trata-se de um site-specific monumental para o Centro Cultural Correios Rio de Janeiro, que articula colagem e projeção em vídeo, radicalizando a experiência do espectador com os híbridos.


Esse mesmo interesse por recriar o que já existe também ganhou um outro suporte. Em colaboração com a Sardina, marca carioca de Glória Marques, e sob minha curadoria, Andrea Lins assinou a coleção “Sardinhas Fabulosas”, na qual seus azulejos, pinturas e colagens deságuam em linho, algodão e seda, e cada peça, numerada e assinada, torna-se um múltiplo de arte vestível. Algumas delas integram esta exposição como obra, extensão têxtil da mesma pesquisa que também se revela em tela.


Se histórias fazem mundos, a flor inventada pela artista é uma verdade, mais jovem e feita de materiais distintos da “flor verdadeira”. Que mundo esta imagem ajuda a fazer existir? Essa relação entre humano e natureza não cabia no desenho científico. Portanto, nessa escolha de Andrea Lins, há uma aposta ética. Seu jardim, que não existe em lugar nenhum além da imaginação, defende o sonho como forma legítima de conhecimento sobre a natureza, tão necessária quanto a ciência. A distância entre contar a verdade sobre a flor e inventar uma flor que conta a verdade sobre nós é menor do que parece. De um jeito ou de outro, importam sempre que histórias contamos. São elas que constroem o mundo que está por vir.


Christiane Laclau

Curadora 



Mais sobre a artista Andrea Lins


Andrea Lins
Andrea Lins

Andrea Lins (Rio de Janeiro) é uma artista formada em Comunicação Visual (Faculdade  da Cidade, 1991), área na qual atuou profissionalmente por oito anos (1989-1996), em  sua própria empresa, a Escritório de Ideias. Concluiu o curso de Ilustração Botânica e  Científica na Escola Nacional de Botânica Tropical (ENBT) em 2013. Em 2015, na Escola  de Artes Visuais do Parque Lage (EAV), onde posteriormente fez aulas de colagem,  retomou os estudos em pintura (iniciados em 1985, na Inglaterra). 

A produção de Andrea Lins conjuga bem suas experiências de formação. Nas séries  “Azulejos” e “Fabulosas”, assim como nos demais trabalhos presentes na sua primeira  exposição individual, “Fabulosas” (2023), percebe-se a junção da pintura sobre tela com  a colagem e os temas botânicos aliados a um rigor formal, características que persistem nas séries “Sertanejas” e “Sertões”, ambas de 2024.  

Diferente da ilustração científica, em que se pretende que as representações  sejam o mais fidedignas possível, as plantas de Lins são criações de sua fabulação. A  flora que constrói, ainda que, por vezes, possa parecer familiar, não retrata diretamente  alguma espécie conhecida. É uma vegetação concebida com referências no real, que,  todavia, ultrapassa qualquer realismo. Esse universo tem relação com sua longa vivência contemplativa em um jardim projetado por Burle Marx. 

A relação afetiva com a natureza vem também da infância, quando frequentava a região costeira do Norte fluminense e praticava mergulho com seus familiares, encantando-se  com a vida marinha desde então. Essa relação sentimental e de respeito pelo mar e por seus seres materializa-se na arte de Andrea Lins nas séries “Meus pais lagosta”, “Meus  pais cavalo-marinho”, “Azulejos” e “Três oceanos” (esta última presente na exposição  homônima em 2025). De modo semelhante ao de sua flora terrestre, os seres marinhos  da artista nem sempre representam algo encontrado em um ecossistema. Muitos deles  são animais fantásticos, frutos do pensamento imaginativo de Lins.

 

É na arte que Andrea Lins dá vazão ao seu pensamento plástico, repleto de referências  de sua vida, de forma pouco explícita para o espectador. Porém ambas, arte e vida,  carregadas de sentimento. Assim, adentramos os biomas que a artista cria e desenvolve  em múltiplas técnicas e suportes, espraiando-se por pinturas, colagens, esculturas,  roupas, objetos e onde mais for possível que sua inventividade se revele.


Andrea Lins
Andrea Lins

Currículo

Exposições Individuais [Solo Exhibitions] 

2024 | Primavera no Sertão. ArtWall - Shopping Leblon- RJ  Curadoria de Christiane Laclau 

2023 | Natal Fabuloso. Hotel Fairmont Copacabana - RJ  Curadoria de Christiane Laclau 

2023 | Fabulosas. Casa Caminhoá - RJ 

Curadoria de Christiane Laclau 

2018 | Eclosão do Eu. Espaço Vogue de Arte - RJ  

Curadoria Flávia Curvello 

Exposições Coletivas [Group Exhibitions] 

2025 | Três Oceanos. Galeria Radiante - RJ 

Curadoria de Christiane Laclau 

2024 | Casa 70 Rio. Instituto Brando Barbosa - RJ  

Curadoria de Elis Valadares 

2024 | A Natureza de Cada Um. Arquivo Contemporâneo - RJ  Curadoria de Christiane Laclau 

2016 | Coletiva. Jardim Botânico – RJ 

Curadoria Dulce Nascimento 

2013 | Coletiva. ENBT- RJ 

Curadoria Paulo Ormindo e Malena Barreto 

Projetos e Colaborações [Projects and Collabs] 

2025 | Jardim de Esculturas ArtRio 2025 

ArtRio 2025 - RJ 

2025 | Sardinhas Fabulosas 

Colaboração com a marca Sardina e a Artmotiv, na Galeria Danielian - RJ 2024 | Loft “Casa do Agora”, do arquiteto Rafael Mirza, Casa Cor Rio  Curadoria de Christiane Laclau

Formação [Education] 

2021—2023 | Cursou Colagem com o prof. Pedro Varela na EAV, Parque Lage [Studied Collage with Prof. Pedro Varela at EAV Parque Lage] 

2020 | Começa a estudar arte contemporânea do século XX,  com o professor Alvaro Seixas, na Artmotiv 

[Began studying 20th-century contemporary art with Prof. Álvaro Seixas at Artmotiv] 2017 | Cursou História da Arte com o prof. Hélio Dias Ferreira [Studied Art History with Prof. Hélio Dias Ferreira] 

2015 | Cursou pintura na EAV, Parque Lage - RJ com o prof. Luiz Ernesto [Studied painting at EAV Parque Lage, Rio de Janeiro, with Prof. Luiz Ernesto] 2014—2016 | Participou do grupo de Ilustração Botânica e Científica  em Aquarela com a profa. Dulce Nascimento 

[Participated in the Botanical and Scientific Illustration in  

Watercolor group with Prof. Dulce Nascimento] 

2011—2013 | Formou-se em Ilustração Botânica e Científica na ENBT,  com os professores Paulo Ormindo e Malena Barreto 

[Graduated in Botanical and Scientific Illustration from ENBT,  

under Professors Paulo Ormindo and Malena Barreto] 

1991 | Formou-se em Comunicação Visual na Faculdade da Cidade - RJ [Graduated in Visual Communication from Faculdade da Cidade, Rio de Janeiro] 1986 | Cursou fotografia na PUC - RJ 

[Studied photography at PUC–Rio] 

1985 | Cursou desenho e pintura em Oxford - Inglaterra 

[Studied drawing and painting in Oxford, England]


Serviço:

De 07 de outubro a 28 de novembro

Abertura: dia 7 de outubro, das 16h às 19h

Visitação: De terça a sábado, das 12h às 19h.

Informações (21) 3088-3001 

Entrada Franca.


Alex Varela


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