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REVISTA DO VILLA

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Após sessões esgotadas, espetáculo “Fim de Partida” retorna ao palco do Teatro TotalEnergies

11 de ago.
3 min de leitura

Dirigido por Rodrigo Portella e produzido por Fernando Libonati, a peça traz no elenco Marco Nanini, Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary França


Créditos: Annelize Tozetto
Créditos: Annelize Tozetto

A partir de 20 de agosto, o Teatro TotalEnergies - Sala Adolpho Bloch recebe a peça “Fim de Partida”, após curta temporada de sucesso na segunda edição do Festival do Teatro do Rio. O dramaturgo irlandês Samuel Beckett (1906-1989) escreveu esse texto nos anos 1950, sob o impacto da Segunda Guerra Mundial. Nesse cenário pós-apocalíptico, ele apresenta os personagens Hamm Clov, símbolos de um mundo em ruínas físicas e emocionais. Mais de sete décadas depois, a peça ainda dialoga com o atual estado do mundo, o que motivou esta nova montagem. 


Em cena, Hamm (Marco Nanini) e Clov (Guilherme Weber) possuem uma trágica dependência física e emocional, em um vínculo atravessado pela violência  e pela crueldade cotidiana, em uma tragicomédia ácida e também melancólica. Presos em um espaço claustrofóbico, os personagens enfrentam uma realidade desprovida de sentido, marcada por repetições, jogos de poder e uma espera que nunca se resolve.


‘Costumo dizer que Beckett, fica orbitando a cabeça dos atores contemporâneos, pois oferece um imenso desafio com os múltiplos caminhos que a sua obra permite’, conta Nanini.

‘O primeiro seria a relação simbiótica entre Hamm e Clov, mas numa segunda camada a peça pode ser lida como uma alegoria política. Hamm surge como um déspota, um tirano arbitrário, figura que alude à lógica da guerra e do militarismo, cuja autoridade se funda  no poder bélico e opressivo. Clov é o corpo submisso, o soldado em vigília permanente, sempre de pé, incapaz de repouso, a serviço de uma engrenagem que não faz nenhum sentido. A cena torna-se, assim, um campo de poder em ruínas’, conta o diretor Rodrigo Portella, que chama a atenção ainda para uma terceira camada de leitura: a do metateatro.


Evidenciada pela cenografia de Daniela Thomas, que coloca uma espécie de palco dentro do palco, em uma pequena caixa cênica retangular, a característica da metalinguagem que o texto propõe se estabelece:

Clov é o clown, o operador da cena,  o ridículo, enquanto Hamm assume a figura do ator principal, o narrador canastrão que se sustenta na fabulação de si mesmo. O teatro se dobra sobre ele próprio: Há um teatro dentro do teatro, um palco dentro do palco’, resume Portella.

Teatro TotalEnergies – Sala Adolpho Bloch

Localizado no histórico Edifício Manchete, na Glória, Rio de Janeiro, projetado por Oscar Niemeyer, com paisagismo de Burle Marx, o Teatro TotalEnergies - Sala Adolpho Bloch é palco de momentos célebres da cultura brasileira. Desde maio de 2019, o Instituto Evoé assumiu a missão de devolver à cidade esse ícone cultural, agora ainda mais moderno e plural.

Graças à genialidade de Niemeyer, que concebeu um palco reversível, tornou-se possível, inclusive durante o período desafiador da pandemia, realizar espetáculos e eventos tanto na área interna quanto na externa, ao ar livre, ou mesmo em ambos os espaços simultaneamente, em formato arena. Essa versatilidade proporciona aos artistas, produtores, cariocas e turistas múltiplas formas de criar, vivenciar e consumir arte e entretenimento.


Único teatro da cidade do Rio de Janeiro com um palco reversível, o Teatro TotalEnergies - Sala Adolpho Bloch permite que o público se acomode também no jardim externo do espaço. Em 2021, o local foi adaptado para o formato arena, com capacidade para 359 lugares na área interna e 120 na externa, além de um palco de 140m², equipado com infraestrutura técnica de alto padrão.


O espaço abriga ainda um centro de convivência, cinco salas de ensaio (projetadas para receber diversas produções simultaneamente) e o bistrô Bettina Café & Arte. A programação valoriza a diversidade cultural e prioriza um entretenimento plural, pensado para públicos de todas as idades e estilos. Desde sua reabertura, já foram realizadas mais de 1000 apresentações, reunindo uma plateia de mais de 400.000  pessoas.


Ficha Técnica

Marco Nanini, Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary França em FIM DE PARTIDA

De Samuel Beckett

Direção: Rodrigo Portella

Tradução: Fábio de Souza Andrade

Direção de Arte e Cenografia: Daniela Thomas

Iluminação: Beto Bruel

Trilha Original e Direção Musical: Federico Puppi

Figurino: Antônio Guedes

Assistência de Direção: Zé Mancini

Visagismo: Leila Turgante

Comunicação: Pedro Neves

Gerência de Projetos: Carolina Tavares

Produção Executiva Montagem: Ártemis

Produtor: Fernando Libonati

Uma produção Pequena Central de Produções


Serviço:

20 a 30 de agosto

Dias e horários: Quintas e Sextas, às 20h. Sábados, às 19h00 e Domingos, às 17h. 

Valores:

Plateia A: R$ 90 (meia) / R$ 180 (inteira)

Plateia B: R$ 25 (meia) / R$ 50 (inteira)

Duração: 90min

Classificação: +16 anos

Teatro TotalEnergies - Sala Adolpho Bloch (Rua do Russel, 804 – Glória)



Alex Varela


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