7 de setembro: A liberdade que nos obriga a ser melhores.
Sou português. Mas amo a Lusofonia.

Não a Lusofonia das fotografias institucionais, dos discursos cerimoniosos ou das palavras gigantes que tantas vezes acabam vazias. Amo a Lusofonia que se vive. A das pessoas, dos afetos, das conversas sem tradução, das diferenças que nos desafiam e da língua portuguesa que, em cada margem do Atlântico e em cada canto de África, ganha novos sons, ritmos e sentidos.
Por razões profissionais, sim. Mas, sobretudo, por razões pessoais, vivo muitas vezes entre Portugal e o Brasil, entre Portugal e os PALOP. É como se a minha vida se desenhasse num “Triângulo Virtuoso”: Portugal, Brasil e os países africanos de língua portuguesa. Um triângulo feito de viagens, encontros, projetos, amizades, aprendizagens e da certeza de que pertencemos a geografias diferentes, sem deixarmos de reconhecer algo de profundamente familiar uns nos outros.
Sou português, com orgulho. Mas tenho uma alma lusófona que se recusa a aceitar fronteiras emocionais onde existem pontes culturais, humanas e históricas. E talvez seja por isso que o dia 7 de setembro me toca de forma tão particular.
No Brasil, celebra-se a Independência, evocando o célebre “Grito do Ipiranga”. Em Moçambique, celebra-se o Dia da Vitória, data que marca a assinatura dos Acordos de Lusaka, que abriram caminho para o fim da guerra colonial e para a independência do país.
São histórias diferentes, soberanas e irrepetíveis. Mas ambas transportam uma afirmação poderosa de liberdade, dignidade e futuro.
E, em Portugal, talvez se possa celebrar algo igualmente importante: a oportunidade de nos relacionarmos com os nossos parceiros lusófonos sem paternalismo, sem nostalgia e sem qualquer ilusão de centralidade. A centralidade da Lusofonia não está em Lisboa. Nem em Brasília. Nem em Maputo. Está em todos os lugares onde a língua portuguesa é encontro, criação e possibilidade. Está nas pessoas. Sempre nas pessoas.
É por isso que continuarei a atravessar este meu Triângulo Virtuoso — entre Portugal, o Brasil e os PALOP — com curiosidade, respeito e esperança. Não porque ignore as feridas da História, mas precisamente porque acredito que a melhor forma de as honrar é construir relações mais livres, mais justas e mais humanas.
Viva o Brasil, na celebração da sua Independência.
Viva Moçambique, no Dia da Vitória.
Viva Portugal, por ter conseguido transformar esses desafios da História e das estórias... em amizade, reconhecimento, cooperação, afetos e humanização!
Viva a Lusofonia!
Pedro Ramos


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