top of page
FB_IMG_1750899044713.jpg

Revista do Villa

Revista do Villa

Revista do Villa

Revista luso-brasileira de conteúdo sobre cultura, gastronomia, moda, turismo,

entretenimento, eventos sociais, bem-estar, life style e muito mais...

Resultados encontrados para busca vazia

  • Grupo Villarino: a trajetória de seu fundador

    Luiz Villarino Perez chegou ao Brasil em 1921 com apenas 16 anos de idade. Oriundo da cidade de Ginzo de Limia, província de Ourense, Espanha. Filho de Isabel Perez Villarino e do político Leonardo Villarino Perez, não quis seguir os estudos superiores nem o negócio de compra e venda de gado que seu pai montou para ele e seu irmão mais velho. Talvez, fugindo do recrutamento militar obrigatório, em consequência da desastrosa Guerra do Rif, uma tentativa neocolonialista espanhola. Exatamente no ano de 1921, os espanhóis sofreram sua pior derrota, em Annual. Muitas famílias espanholas mandavam seus filhos para o exterior, evitando a morte certa em Marrocos.   Foto 1. Batalha de Annual. Os restos mortais espalhados. 1921. Fotógrafo desconhecido. Domínio público. Foto de internet. Desembarcou no porto do Rio no dia 12 de outubro daquele ano. Foi recebido por contatos da família, como Camilo Cuquejo, gerente do Café Colombo, estabelecimento da rua Nova do Ouvidor, n.º 3, esquina com rua Sete de Setembro. Também recebeu o apoio do capitalista   Víctor Fernández Alonso, futuro dirigente da Companhia Novo Mundo, de seguros marítimos e terrestres, da Rua General Câmara, n. 71. No início da década de 1920, Alonso era comissário e consignatário de gêneros alimentícios, com uma firma na rua do Ouvidor, n.º 106. Um detalhe curioso: a firma V. Fernandes & Cia, da qual Alonso foi sócio, explorava a venda de bilhetes de loterias e apostas do “jogo do bicho”. Um dos seus sócios era um forte “banqueiro” do jogo, antes da proibição.   Foto 2. Víctor Fenandéz Alonso, de terno claro e gravata borboleta. 1929. Revista Careta. Fotógrafo desconhecido. Acervo BNR Foto 3. Camilo Cuquejo. Divulgação. 1920. Revista Vida Doméstica. Fotógrafo desconhecido. Acervo BNRJ. Foto 4. Café Colombo. Divulgação. 1920. Revista Vida Doméstica. Fotógrafo desconhecido. Acervo BNRJ. Foto 5. Interior do Café Colombo. Divulgação. 1920. Revista Vida Doméstica. Fotógrafo desconhecido. Acervo BNRJ. A colônia espanhola do Rio daquele tempo reunia-se, especialmente, no Centro Gallego, da rua Visconde de Rio Branco, n.º 53, na Casa de Cervantes, da rua da Constituição, n.º 38, e no salão nobre do prédio da Beneficência Espanhola. Foi lá, neste último, numa tarde, que Villarino conheceu Aurélia Gonzalez Alvarez, de apenas 13 anos, e com quem se casou em 20 de outubro de 1927. Dona Aurélia era filha do industrial Casimiro Gonzalez Garcia e tocava piano no Centro Gallego. Os dois tiveram um filho único, Eugênio Gonzalez Villarino, nascido em 15 de setembro de 1928. Nos primeiros anos na cidade, morou na casa de uma família espanhola na rua Silva Manuel, atual rua André Cavalcanti, no centro da cidade.   Foto 6. Festa no Centro Gallego. 1918. Revista Fon Fon. Fotógrafo desconhecido. Acervo BNRJ Foto 7. Reunião e baile na Beneficência Hespanhola. 1924. Revista da Semana. Fotógrafo desconhecido. Acervo BNRJ. Foto 8. Reunião na Casa de Cervantes. 1925. Revista da Semana. Fotógrafo desconhecido. Acervo BNRJ. Foto 9. Casamento de Villarino Revista Vida Doméstica. 1928. Fotógrafo desconhecido. Acervo BNRJ Seu primeiro emprego foi de ajudante de garçom na então famosa confeitaria Alvear & Cia . Situada no número 118 (em outras fontes, 114) da elegante Avenida Rio Branco, perto do antigo prédio do Jornal do Brasil. A Casa Alvear era frequentada pela elite da capital, que gostava de comparecer ao chá das 5 horas. Também era o ponto das melindrosas  e dos almofadinhas , que se refrescavam com os sorvetes da casa. A coluna Tópico do Dia , do Jornal do Commercio do Rio de Janeiro, descrevia o ambiente da casa em 1916: “ o Alvear tornou-se um pon to de encontro das rodas que procuram ser elegantes (cousa aliás que nem sempre se consegue). Assim, ficará na história da cidade como o Carceller, os Castellões, o Paschoal e a Colombo, cada um representando uma quadra social e dos costumes de uma época.”   O escritor e jornalista Benjamim Costallat, frequentador da confeitaria naqueles “anos loucos" , lembrava bem do jovem Villarino. Costallat, que ganhou um artigo na Revista do Villa, gostava de tomar o sorvete Melle Cinema , batizado em homenagem ao seu romance decadentista. Já com seus 59 anos, em 1956, o escritor lembrava de como pagava o serviço do “ rapazote espanhol sorridente e trabalhador ” com gorjetas generosas.   Foto 12. Interior da confeitaria e sorveteria Alvaer. 1919. Semanário Fon Fon. Fotógrafo desconhecido. Acervo BNRJ. Foto 13. Confeitaria e sorveteria Alvaer. 1919. Semanário Fon Fon. Fotógrafo desconhecido. Acervo BNRJ. Foto 14. Costallat. 1922. Revista Souza Cruz. Fotógrafo desconhecido. Acervo BNRJ. Villarino começa sua vida empresarial com o comércio de doces, chocolates e guloseimas – uma  bombonière . Em acordo com os donos da casa Alvear, montou uma vitrine numa das portas da confeitaria. Era o ano de 1924. Após 3 anos de vendas e lucros, abriu o Café Acadêmico Limitada, localizado na rua do Catete, n.º 236, esquina da antiga rua Carvalho Monteiro, atual rua Arthur Bernardes, de frente para a antiga Faculdade Nacional de Direito.   Foto 15. Antigo prédio da Faculdade Nacional de Direito. c.1980. Fotógrado desconhecido. Acervo UERJ Foto 16. Esquina de Rua do Catete com Arthur Bernardes. Imagem Google Maps. Da década de 30 até o ano de 1942, entrou e saiu de diversas  sociedades, principalmente bares e leiterias. Desfez uma parceria com Oscar Camillo da Silva Ramôa, na firma Camillo & Villarino, em 1934. Foi sócio do Café e Bar Villarino Limitada, em abril de 1935. Em dezembro daquele ano, entrou em sociedade com outros comerciantes na Leiteria Nevada, da rua Bittencourt Silva, n.º 1-B. No ano seguinte, abriu um botequim na rua 13 de maio n.º 41, com capital de 10 contos. Ainda no mesmo ano, sob a firma Montoro & Cia. Limitada, com José Montoro, abriu um botequim na rua da Carioca, n.º 65, com o capital de 65 contos. Na rua 13 de maio, no n.º 48, foi sócio da leiteria L. Villarino & Cia. Limitada, em 1937. Um ano depois, entrou em sociedade de mais um botequim, o Ribeiro & Villarino Limitada, na Avenida Rio Branco, n.º 64. Ao fim, preferiu ficar apenas com as Casas Pardellas, intituladas as “Rainhas do Whisky”, situadas no centro do Rio, na rua da Assembleia n.º 76 (depois, rua México, n.º 148-D) e a outra na rua de São José, n.º 120. E ainda, uma filial na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, esquina com Siqueira Campos.  A última whiskeria Pardellas fechou em 1984. O ponto foi vendido para o Banco Itaú, por 500 milhões de cruzeiros. Além das whiskerias, a Casa Villarino, sua preferida, localizada na esquina das avenidas Calógeras e Presidente Wilson.   Foto 17. Casa Paredellas. O Globo. c.1983. Acervo O Globo. Foto 17A. Bar Villarino. 2026. Foto do autor Foto 17 B. Villarino e João Emídio Ferreira da Silva no Pardellas. Jornal Última Hora.1958. Fotógrafo desconhecido. Acervo BNRJ A revista Manchete, na coluna Pelas Esquinas da Noite , de meados da década de 1950, pintava um panorama dos bares da Esplanada do Castelo e adjacências. Depois do trabalho, era a hora do “aperitivo”. As opções eram o Juca's Bar, do Hotel Ambassador , com ar-condicionado, e o bar do Hotel Serrador, frequentado por políticos e escritores. Já O Grande Ponto, fornecedores dos carros-restaurante⁶ dos trens da Central do Brasil, ficava na rua Pedro Lessa, n.º 31-A, com filial na rua Graça Aranha, n.º 81-B, era o local dos jornalistas, funcionários públicos, policiais e bicheiros... O Lidador era a parada dos diplomatas e homens de negócios.   Foto 18. Licurgo leite, João Condé, Di Cavalcanti, Vinícius de Moraes e Rubem Braga no Juca's. 1951. Jornal das Letras. Fotógrafo desconhecisdo. Acervo BNRJ O Bar Villarino era um deles. Lugar das “ doses generosas de whisky ”, segundo Costallat. Descrito por seus frequentadores como um bar simples, no fundo de uma casa de comestíveis. Ruy Castro, na resenha que fez para a revista Manchete, em 1990, do seu livro Chega de Saudade,  lembra que Vinícius de Moraes formou a dupla com Tom Jobim nas mesas do Bar Villarino, descrito por ele como “bar-mercearia”. Em outro depoimento posterior, em 1983, para a mesma revista, Tom Jobim se recorda de ter encontrado Vinícius de Moraes primeiramente no Clube da Chave , no posto seis. Porém, o encontro oficial foi em 1956, apresentado por Lúcio Rangel, no bar Villarino, “onde todo mundo se reunia no fim do dia, com a desculpa de esperar o trânsito melhorar ”.   Foto 19. Vinicius de Moraes no Villarino. Fotógrafo desconhecido. Foto de Internet Em meados da década de 1950, o bar Villarino estava na “ordem do dia”. Segundo o tabloide da época, FLAN, o bar era a “ nova mania dos intelectuais ”. Era o reduto de sambistas, do povo do rádio, do teatro, da política e dos jornais. Juscelino frequentou, assim como Haroldo Barbosa. Ary Barroso dizia fazer parte da “República Independente do Villarino”. A lista de frequentadores famosos era extensa: Sílvio Caldas, Antônio Maria, João Donato, Edu da Gaita, Humberto Teixeira e Vadico, parceiro de Noel Rosa, Fernando Lobo, Sérgio Porto, Paulo Mendes Campos, Flávio de Aquino, Simeão Leal e o poeta John dos Passos, Millôr Fernandes, Lúcio Rangel, Aloísio Oliveira e Luís Jatobá.   Em 1953, foi criada a Construtora e Imobiliária Villarino, com endereço na rua México, n.º 148, sobreloja. Diversos empreendimentos na zona sul do Rio foram vendidos pela firma.   Arte 1. Construtora e imobiliária Villarino. 1955. Correio da Manhã. Arte do Jornal. Acervo BNRJ. A fortuna de Villarino começou a ser notada pelos jornalistas quando comprou o prédio do Cine Metro, do Passeio Público, dos herdeiros da família Armbrust, por 51,5 milhões de cruzeiros, em meados de 1956. Segundo o próprio Villarino, pagou 20% à vista e o restante, incluindo os juros, no prazo de 4 anos.  Por ocasião da compra do edifício, o colunista do jornal Última Hora, Edmar Morel, em uma coluna de junho de 1956, o entrevistou e o descreveu da seguinte forma: “(...) um sujeito simpático. Não tem cara de milionário, tampouco de espanhol. Parece muito mais um professor catedrático, muito experiente e senhor de si”.  O depoimento descrito linhas acima, de Costallat, é dessa época. Surpreendido, escreveu o artigo “O Homem que comprou o Metro”,  no Jornal do Brasil.   Foto 21. Cine Metro, ao centro. 1939. Recorte da Vista aérea do Passeio Público. Acervo Museu Aerospacial e Brasiliana Fotográfica. Foto 22. Villarino. Jornal Última Hora. 1956. Fotógrafo desconhecido. Acervo BNRJ Mas o grande salto foi dado em 11 de dezembro de 1962. Em uma assembleia de acionistas, realizada na rua Araújo Porto Alegre, n.º 56, sobreloja, com a presidência de Eugênio Gonzalez Villarino, reuniram-se a diretoria e os acionistas do Banco Bhering S/A. A diretoria do velho banco achou por bem aumentar o capital de 15 milhões de cruzeiros para 40 milhões, representados por 1000 ações ordinárias e ao portador. Ficou acertado que o banco passaria a se chamar Banco Villarino S/A. Luiz Villarino entrou com o aporte de capital de CR$ 7.249.500,00, representados por 14.499 ações, sendo eleito presidente do banco. Provavelmente, a primeira agência foi inaugurada em julho de 1963, na rua das Laranjeiras, n.º 197-A. No ano seguinte, foi aberta a nova matriz, na rua México, n.º 148, lojas C e D, esquina com a Avenida Almirante Barroso. No 3.º aniversário da sociedade, a Tijuca ganhou uma agência, na rua Haddock Lobo, n.º 332. A 4.ª agência bancária foi aberta no bairro de Copacabana, na rua Barata Ribeiro, n.º 255-B. Infelizmente, em abril de 1971, os acionistas e a diretoria acharam conveniente passar o negócio adiante. A instituição foi incorporada pelo banco Bradesco, em mais um capítulo da longa e antieconômica concentração bancária brasileira.   Arte 2. Logomarca Banco Villarino S.A. Correio da Manhã. 1964. Arte do jornal. Acervo BNRJ. Arte 3. Nova Agência em Copacabana. 1968. Correio da Manhã. Arte do jornal. Acervo BNRJ Foto 23. Diretoria do Banco Villarino entregando cheque ao jorgador Espanhol do C.R. do Flamengo pelo título de 1963. Última Hora. Fotógrafo desconhecido. Acervo BNRJ. No biênio 1967-1968, foi agraciado pelo presidente Costa e Silva com a Medalha de Honra da Ordem do Mérito do Trabalho, com cerimônia que contou com a presença do ministro Jarbas Passarinho, no Ministério do Trabalho, no bairro Castelo. No ano seguinte, ganhou a Medalha de Grande Comendador da Espanha, concedida pelo General Francisco Franco, e o título de Cidadão Carioca.   Foto 24. Villarino recebe de Jarbas Pasarinho a Ordem do Mérito do Trabalho. 1967. Correio da Manhã. Fotógrafo desconhecido. Acervo BNRJ Em 1968, foi a vez do tradicional Itajubá Hotel, na rua Álvaro Alvim, juntar-se às Organizações Villarino. O Edifício Brasil, onde fica instalado o hotel, já era de propriedade do grupo. O prédio foi inaugurado em 1928 e foi por algum tempo, quando o local se chamava “quarteirão-Serrador”, o maior arranha-céu do Rio. Villarino resolveu manter aberto o empreendimento. Declarou, ao jornal Diário de Notícias:   “(...) não iríamos deixar no desemprego toda essa gente que há longos anos, decididamente, presta seus serviços à firma e também não seríamos justos se privássemos a Guanabara de um dos seus mais tradicionais hotéis”.   Os paulistas, com razão, costumam festejar seus grandes empreendedores, muitos deles estrangeiros. No Rio de Janeiro, ainda é preciso resgatar a memória dos que suaram para construir a segunda maior economia do país. No depoimento a Edgar Morel, de 1956, Villarino disse que se achava um sortudo, pois teria ganhado três vezes na loteria, numa delas pelo bilhete n.º 4.795. Na verdade, a sorte é fruto do trabalho duro. O galego e tricolor Luiz Villarino Perez faleceu no dia 8 de novembro de 1983.   Arte 4. Cariocas Honorários de 1971. Auditório do O Globo. 1971. Arte do jornal. Acervo o Globo. Foto 25. Luiz Villarino recebe o título de Carioca Honorário.1971. O Globo. Acervo O Globo. Foto 26. Itajubá Hotel. 1928. Jornal A Manhã. Fotógrafo desconhecido. Acervo BNRJ..   Foto 27. Luiz Villariño Perez. O Globo. 1971_ Fotógrafo desconhecido. Acervo O Globo. #villarino #espanha #banco #bar #bossanova #cinelandia #costallat #colombo #carceller #confeitaria #bomboniere #itajubá #jucas #villarinoperez #uisque #bancos #hoteis #leiteria #castelo   *BNRJ = Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro; *Este é um artigo revisado e ampliado do original de fevereiro de 2021 Flavio Santos

  • Novo presidente da Academia do Bacalhau de Brasília quer transformá-la uma instituição “ativa, organizada e presente na vida da comunidade”

    Imagem: Luís Miguel, presidente da Academia do Bacalhau de Brasília. Silva Foto: divulgação A comunidade portuguesa em Brasília atravessa uma nova fase de reorganização associativa com a liderança de Luís Miguel Silva , empresário português de 47 anos , nascido no distrito de Aveiro , que residiu em Portugal até 2017 e, desde então, vive na capital brasileira.   Pai, empresário e c onselheiro consultivo da Secção Consular da Embaixada de Portugal , Luís Silva assumiu, em fevereiro de 2026, o cargo de presidente da Academia do Bacalhau de Brasília , com a missão de “revitalizar a instituição” e “reforçar os laços culturais, sociais e solidários entre portugueses, luso-descendentes e amigos de Portugal no Brasil”.   A Academia do Bacalhau de Brasília , ligada ao movimento internacional das Academias do Bacalhau, procura afirmar-se como um espaço de encontro e convívio da comunidade, promovendo eventos gastronómicos, culturais e ações filantrópicas que valorizem a tradição portuguesa e fortaleçam a identidade lusófona na capital brasileira. Em entrevista à Agência Incomparáveis , Luís Miguel Silva fala sobre os desafios da Academia, os projetos que pretende implementar e a importância de tornar a entidade uma referência de dinamismo, cultura e solidariedade junto da comunidade luso-brasileira.   Qual é a missão atual da Academia do Bacalhau de Brasília e de que forma a entidade está organizada no plano institucional e associativo? Atualmente, a Academia do Bacalhau de Brasília é uma referência no movimento associativo da comunidade portuguesa, mas ainda não é uma associação instituída de forma legal. Na minha gestão pretendo criar essa associação e pretendo promover a cultura e a tradição portuguesa através de encontros gastronómicos, eventos culturais e convívios entre membros da comunidade luso-brasileira, fortalecer a comunidade atuando como um espaço de encontro entre portugueses, luso-descendentes e amigos de Portugal em Brasília, fomentando laços de amizade, identidade cultural e cooperação entre os seus membros e resgatar ações solidárias e filantrópicas angariando fundos destinados a causas sociais e beneficentes, apoiando instituições ou pessoas em situação de necessidade.   Onde está localizada a Academia e como se articula com a comunidade portuguesa e lusodescendente no Distrito Federal e nos estados vizinhos? Nunca tivemos sede. A “localização” fica sempre com o presidente. Até ao momento articulávamo-nos através de mensagens, ora por e-mails, ora por WhatsApp, ora por Facebook, e atualmente, além desses também já criei o nosso site www.abbrasilia.com.br  e a nossa página no instagram, em: @academiadobacalhaubrasilia ambos ainda em desenvolvimento.   Que projetos têm sido desenvolvidos nos últimos anos e quais os principais beneficiários dessas iniciativas? Nos últimos anos a Academia ficou muito parada, perdeu o seu dinamismo, mas creio que sempre tivemos como projetos organizar jantares de confraternização e integração com a comunidade portuguesa e simpatizantes. Eventualmente, fizemos alguma ação beneficente, mas, como referi anteriormente, é o meu objetivo atuar e evidenciar a ação solidária e filantrópica e de fortalecimento da comunidade.   De que forma a Academia preserva as tradições portuguesas e promove a cultura lusófona no contexto brasileiro? A Academia promoveu a cultura lusófona principalmente nos jantares. Foram feitos jantares temáticos por região, com vídeos e fotos. Foram estimulados os eventos na Embaixada, principalmente jogos da seleção portuguesa.   Como é feita a ligação com as autoridades locais brasileiras e com as representações diplomáticas de Portugal em Brasília? Sempre por iniciativa do presidente da Academia, com a ajuda do quadro da Embaixada.   Que tipo de articulação existe com outras Academias do Bacalhau no Brasil e no exterior, e como se materializa essa cooperação? Até onde consta, não existe outra academia no Brasil. Todas fecharam. Com as do exterior, há um grupo de WhatsApp onde falamos diariamente sobre os mais diversos assuntos que envolvem as Academias.   O que os associados e a sociedade luso-brasileira podem esperar da sua gestão? A sociedade luso-brasileira pode esperar uma gestão marcada pelo dinamismo, pela organização e por um forte compromisso com a comunidade. Como referi anteriormente, a Academia do Bacalhau de Brasília ainda não se encontra formalmente constituída do ponto de vista jurídico e, por essa razão, não possui atualmente associados. Esse cenário irá mudar durante a minha gestão. Já demos início ao processo de elaboração dos estatutos, à definição de uma estrutura organizacional sólida e à formalização institucional da Academia. Paralelamente, estamos a trabalhar na criação dos nossos canais oficiais de comunicação, incluindo um website e uma presença ativa no Instagram, com o objetivo de aproximar ainda mais a Academia da comunidade e dar maior visibilidade às suas iniciativas. Enquanto português profundamente ligado à comunidade em Brasília, assumo também o compromisso de fortalecer os laços entre portugueses, luso-descendentes e amigos de Portugal, promovendo iniciativas que valorizem a nossa cultura, o espírito de amizade e, sobretudo, a vertente solidária que sempre caracterizou as Academias do Bacalhau. O nosso objetivo é claro: construir uma Academia mais estruturada, mais participativa e mais relevante, capaz de honrar a tradição das Academias do Bacalhau e de desempenhar um papel ativo na vida da comunidade luso-brasileira.   Que projetos tem em mente? Temos vários projetos em mente, todos com o objetivo de fortalecer a presença e a relevância da Academia do Bacalhau de Brasília na comunidade luso-brasileira. Um dos primeiros passos será a formalização institucional da Academia, através da criação dos estatutos e da definição de uma estrutura organizacional sólida que permita o crescimento sustentável da entidade. Paralelamente, pretendemos reforçar a nossa presença junto da comunidade através da criação de canais de comunicação próprios, como um website e redes sociais, que permitam divulgar as nossas atividades, aproximar pessoas e dar maior visibilidade ao trabalho da Academia. Outro eixo fundamental será a promoção de eventos culturais, gastronómicos e de convívio, que valorizem a tradição portuguesa e reforcem os laços entre portugueses, luso-descendentes e amigos de Portugal em Brasília. Por fim, queremos fortalecer também a dimensão solidária da Academia, promovendo iniciativas de apoio social e ações de beneficência, em linha com o espírito que sempre caracterizou as Academias do Bacalhau em todo o mundo.   Quais são os principais desafios enfrentados atualmente pela Academia e que metas estratégicas estão definidas para os próximos anos? Um dos principais desafios que a Academia do Bacalhau de Brasília enfrenta atualmente prende-se com a necessidade de revitalização institucional. Ao longo dos últimos anos, por diferentes circunstâncias, a Academia acabou por atravessar um período de menor atividade, o que naturalmente criou a necessidade de lhe dar um novo impulso. É precisamente esse o espírito desta nova fase: devolver dinamismo à Academia, reorganizar a sua estrutura e dar-lhe um verdadeiro sopro de vida, para que possa voltar a desempenhar plenamente o papel que lhe cabe na comunidade luso-brasileira. Nesse sentido, uma das nossas prioridades estratégicas passa pela formalização institucional da Academia, através da criação dos estatutos, da definição de uma estrutura organizacional sólida e da criação de mecanismos que permitam uma maior participação da comunidade. Paralelamente, queremos reforçar a visibilidade e a relevância da Academia junto da comunidade portuguesa em Brasília, aproximando portugueses, luso-descendentes e amigos de Portugal das nossas iniciativas. Para os próximos anos, a nossa meta é clara: transformar a Academia do Bacalhau de Brasília numa instituição ativa, organizada e presente na vida da comunidade, promovendo convívio, cultura, tradição e, sobretudo, o espírito solidário que sempre caracterizou as Academias do Bacalhau em todo o mundo.   Por fim, quem é Luís Silva? Luís Silva é, antes de tudo, um português profundamente ligado às suas raízes e à sua comunidade. Nasci em Aveiro e vivi em Portugal até aos 40 anos, trazendo comigo um forte sentido de identidade, de tradição e de responsabilidade para com a cultura portuguesa. Hoje, vivo em Brasília, onde tenho procurado contribuir ativamente para a comunidade luso-brasileira, seja através da minha atividade empresarial na área da gastronomia portuguesa, seja através do envolvimento em iniciativas associativas e culturais. Acredito muito no poder da comunidade, da amizade e da preservação das nossas tradições. É precisamente esse espírito que procuro levar para a Academia do Bacalhau de Brasília: um espaço de encontro, de partilha, de cultura e também de solidariedade. Acima de tudo, sou alguém que acredita que as comunidades se constroem com proximidade, trabalho e vontade de fazer acontecer. Ígor Lopes

  • Vida da ativista e prostituta Gabriela Leite, criadora da grife Daspu, no teatro

    A atriz Fernanda Viacava leva à cena a obra e a vida da ativista e prostituta Gabriela Leite (1951-2013) no solo Gabri, texto de Caroline Margoni | direção de Malú Bazán Estudante da USP e frequentadora da turma da contracultura nos anos 70, durante a ditadura militar, Gabriela Leite trocou a faculdade de Filosofia pela prostituição. Entre os anos 1990 e 2000, criou a ONG Davida e a grife DASPU, escreveu dois livros e foi a primeira ativista prostituta brasileira, junto com Lourdes Barreto, a organizar a classe no Brasil e na América Latina. O espetáculo passeia com humor e irreverência por episódios marcantes de sua vida. A peça tem pesquisa e curadoria de Elaine Bortolanza , pesquisadora na área, ativista do movimento de prostitutas e diretora da DASPU de 2013 a 2022, e Lourdes Barreto, prostituta ativista e grande parceira de Gabriela na criação do Movimento Brasileiro de Prostitutas.  No carnaval deste ano, ao lado de Lourdes Barreto, Fernanda Viacava foi destaque como Gabriela Leite no desfile da escola de samba Porto da Pedra , cujo enredo foi “Das mais antigas da vida, o doce e amargo beijo da noite”, que abordou a história das trabalhadoras sexuais. ESTREIA: dia 08 de abril (4ªf), às 19h LOCAL: Casa de Cultura Laura Alvim – Espaço Rogério Cardoso (Porão) - Av. Vieira Souto, 176 – Ipanema / RJ HORÁRIOS: quartas e quintas às 19h / INGRESSOS: R$30,00 (meia) e R$60,00 na bilheteria de terça a sexta de 16h às 20h, feriados de 15h às 20h e domingos de 15h às 19h e em  funarj.eleventickets.com / CAPACIDADE: 53 lugares / DURAÇÃO: 75 minutos / GÊNERO: comédia dramática / CLASSIFICAÇÃO 16 anos / TEMPORADA: até 23 de abril FOTOS: https://drive.google.com/drive/folders/1U5EYUm9omCrOxjgZ5AVewCOScQ8fwS1v?usp=share_link VÍDEO: https://youtu.be/xnPGzrDcZbA   A identificação e as inquietações de da atriz Fernanda Viacava com a figura de Gabriela Leite (1951-2013), a primeira mulher a lutar pelos direitos das prostitutas no Brasil, é mote do solo Gabri, que chega ao Rio depois de temporadas de sucesso em São Paulo e circulação nacional.   O solo reaviva a memória da ativista e prostituta Gabriela Leite ultrapassando a barreira das ruas e do estigma, ao falar sobre prostituição na perspectiva do desejo e da autonomia sexual de todas as mulheres. Gabriela, criadora da ONG Davida (hoje Coletivo Puta Davida) e da grife DASPU (*), é personagem dessa ficção que se apropria de sua trajetória para criar um ensaio sobre a mulher e a luta pela liberdade.   (*) A Grife Daspu foi criada em 2005 como uma passarela de luta para dialogar com a sociedade sobre os estigmas relacionados às mulheres que exercem o trabalho sexual. O nome era uma provocação à Daslu, então famosa loja de artigos de luxo do Brasil, pertencente à empresária Eliana Tranchesi (1955-2012).   “É uma alegria enorme chegar no Rio de Janeiro, trazer esse espetáculo para uma cidade que é tão importante para a trajetória da Gabriela. Todo movimento político, todos os grandes passos na vida da Gabriela foram muito ligados ao Rio, a cidade que ela escolheu. Gabri fala de escolhas, do direito de ir e vir da mulher, dos nossos desejos em movimento.”, reflete a diretora, Malú Bazán.   O espetáculo passeia, com humor e irreverência, por episódios marcantes de sua vida. A pesquisa partiu da leitura das duas autobiografias de Gabriela Leite - "Eu, mulher da vida" (1992) e "Filha, mãe, avó e puta" (2009) -, e da "Puta Autobiografia”, de Lourdes Barreto (2023), além de uma série de conversas com companheiras de luta, ex-companheiro de Gabriela, irmãs, filha e amigos próximos.   “Tenho muita alegria, muito orgulho de contar a história dessa mulher guerreira para diversos públicos de maneira intensa e divertida. Sabe quando o ator encontra a SUA personagem da vida? Pois é, encontrei Gabriela, um encontro que mudou meu jeito de olhar e me colocar na vida”, revela Fernanda Viacava.   “Uma prostituta destemida, inteligente e que fala! É ousadia demais. Para ela, não é profissional do sexo, é puta. Não é garota de programa, é puta. Não é prostituta, é puta. Quatro letras que, quando unidas, se aproximam do objetivo pelo qual Gabi sempre lutou: domar o estigma.", completa Caroline Margone, autora do texto.   SINOPSE   Com humor e irreverência, Fernanda Viacava, ora como Gabriela, ora como ela mesma, relembra o legado da ativista e prostituta Gabriela Leite, e reflete sobre pontos de identificação entre ambas, que podem se estender a todas as mulheres.    AS FONTES   O grupo “Mulheres da vida” acessou os arquivos de vídeo dos encontros nacionais e estaduais, fotografias, áudios do acervo histórico e atual do movimento, além de promover encontros com amigos, familiares de Gabriela e companheiras de luta que fizeram parte da sua trajetória de vida e de luta.   As criadoras se embrenharam na memória e no acervo histórico da ONG Davida, que integra desde 2012 o Arquivo Estadual do Rio de Janeiro (APERJ), junto ao Observatório da Prostituição - projeto de pesquisa e extensão do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR-UFRJ).   Entre os personagens que contribuíram para a pesquisa dramatúrgica, estão Flávio Lenz, parceiro de vida com quem Gabriela se relacionou por mais de 20 anos e com quem fundou a ONG Davida e o Jornal Beijo da Rua; Maurício  Toledo, amigo mais antigo e companheiro da ONG Davida; Thaís Helena Leite, e Regina Leite, irmãs; Alessandra Leite, filha; Tatiany Leite, neta, com quem tinha uma relação muito próxima; Lourdes Barreto, amiga e a maior companheira de luta, fundadora do Grupo de Mulheres Prostitutas do Estado do Pará - GEMPAC (1990); Vânia Rezende, prostituta e ativista da região Nordeste, coordenadora da Associação Profissionais do Sexo de Pernambuco - APPS, parceira de luta da RBP; Soraya Simões, professora do IPPUR/UFRJ e coordenadora do Observatório da Prostituição; e Laura Murray, professora do Núcleo de Políticas Públicas e Direitos Humanos na UFRJ e Diretora do filme Um Beijo para Gabriela.   QUEM FOI GABRIELA LEITE?   Nascida em 1951, em São Paulo, Gabriela se tornou a principal referência na luta em defesa dos direitos das prostitutas no Brasil. Estudante da USP e frequentadora do Bar Redondo com a turma da contracultura nos anos 70, durante a ditadura militar, trocou a faculdade de Ciências Sociais pela prostituição, primeiro em sua cidade, depois em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, onde viveu até a sua morte em 2013.   Gabriela foi a primeira mulher a se apresentar publicamente como prostituta. Isso aconteceu no I Encontro de Mulheres de Favelas e Periferia, organizado em 1983 pela vereadora Benedita da Silva, do PT. “Foi um rebu! Uma prostituta que se diz prostituta! Aí começou toda uma onda”, disse a ativista em sua autobiografia.   Alguns anos depois, ela conhece Lourdes Barreto nos encontros da Pastoral da Mulher Marginalizada e, juntas, tramam a organização da Rede Brasileira de Prostitutas, o primeiro movimento em rede da categoria, que conta com representantes de todas as regiões do Brasil. A criação deste movimento em rede teve como marco o I Encontro Nacional de Prostitutas: “Mulher da vida, é preciso falar", realizado no Rio de Janeiro, em 1987, que teve o encerramento no Circo Voador com a presença e apoio de vários artistas, como Elza Soares, Martinho da Vila, Lucélia Santos, Norma Bengell, entre outros. A ativista ainda fundou em 1992 a ONG Davida e, em 2005, criou a grife Daspu, uma passarela de luta concebida para dialogar com a sociedade, por meio da arte e da cultura, os estigmas relacionados às prostitutas.   Ela ainda foi a primeira mulher na América Latina a iniciar o trabalho de organização da categoria, a partir da desconstrução de representações socialmente aceitas sobre a prostituição, dando-lhe novos sentidos ao estigma que atravessa todas as mulheres, e buscando o seu reconhecimento como trabalho. Gabriela morreu em 2013, vítima de um câncer de pulmão.   TRAJETÓRIA DA PEÇA   Visto por cerca de 4.500 espectadores, Gabri estreou em janeiro de 2024, no SESC Av. Paulista (SP), e seguiu no circuito cultural com temporadas no Teatro Oficina Uzyna Uzona, Teatro O Andar, Itaú Cultural e Teatro Arthur Azevedo. Também circulou por unidades do SESC no interior paulista e integrou o FestiVale - Festival de Teatro em São José dos Campos. Participou do Festival Cena Cumplicidades (Recife/PE), do Festival Verônica Moreno (DF), Festival de Inverno de Itabira (MG) e do Festival Nacional de Teatro de Passos (MG).   Além do circuito institucional, Gabri realizou ações e apresentações em territórios e contextos diretamente conectados ao tema: em dezembro de 2024, apresentou-se no Parque da Luz para o coletivo Mulheres da Luz; em março de 2025, no Jardim Itatinga (Campinas), integrando a programação do Mês das Mulheres; e em junho de 2025, no auditório da Pinacoteca, a convite do coletivo, para o lançamento do livro Trajetórias de Vidas II – Mulheres da Luz. Em outubro de 2025, realizou apresentação no GEMPAC (Grupo de Mulheres Prostitutas do Estado do Pará).   No Festival Nacional de Teatro de Passos (MG), recebeu o Prêmio de Melhor Atriz e indicação de Melhor Dramaturgia.   FICHA TÉCNICA   Concepção e Idealização: Caroline Margoni, Elaine Bortolanza, Fernanda Viacava e Malú Bazán Dramaturgia: Caroline Margoni  Direção: Malú Bazán  Elenco: Fernanda Viacava  Pesquisa e Curadoria: Elaine Bortolanza Memória e Curadoria: Lourdes Barreto Direção Interpretativa e Preparação Vocal: Lúcia Gayotto Direção de Arte: Kabila Aruanda  Trilha Sonora: Nina Blauth e Girlei Miranda  Música Original: Nina Blauth Criação Audiovisual: Cassandra Mello (Teia Documenta) Assistência de Criação Audiovisual: Ciça Lucchesi Iluminação: Cristina Souto Identidade Visual: Manuela Afonso Operação de Luz: Nara Zocher Operação de Vídeo e Som: Nara Zocher Fotos: Cassandra Mello, Paulo Neobeck, Ronaldo Gutierrez e Rogério Alves Produção Executiva: Fernanda Viacava Produção Geral: Clotilde Produções Artísticas Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany     CAROLINE MARGONI - autora   Roteirista formada em Audiovisual, com cursos em Cuba, Brasil e Argentina. Criminóloga formada pela PUC-RS. Escreveu a série “Psi” (HBO), adaptou o livro “Prisioneiras”, de Drauzio Varella (Globo) e roteirizou “Dois Tempos” e “Americana” (Disney/Star+). É roteirista do longa “A Vítima Invisível – O Caso Elisa Samudio” (Netflix) e da série documental “Cinéticas”, da qual também é diretora geral. Adaptou o livro “Sinto Muito”, de Nuno Lobo Antunes, para o ICA/Portugal e escreveu “Our Blood, Our Body” (Fox Lab) vencedor do Emmy Kids 2019. Em 2026, estreia uma série e um longa true crime inéditos (streaming), ambos em produção (Globoplay). Atualmente prepara seu primeiro longa-metragem de ficção com direção de Gabriela Amaral Almeida e chefia a sala de uma série investigativa. Na Criminologia, pesquisa o uso de algoritmos no combate à criminalidade. É autora da peça Gabri.   MALÚ BAZÁN - diretora   Diretora, atriz e professora. Formada pelo TUCA/PUC (1996). Trabalhou com o Grupo TAPA de 2000 a 2017, onde atuou em diversas peças, ministrou diferentes Grupos de Estudos para atores e dirigiu em 2012 seu primeiro espetáculo “A Noite das Tríbades”, de Per Olov Enquist.   Em 2018 foi indicada ao APCA de melhor direção pelo espetáculo “Aproximando-se de A Fera Na Selva”, de Marina Corazza, espetáculo criado a partir do romance A Fera na Selva de Henry James. Seus mais recentes trabalhos na direção foram Gabri, espetáculo baseado na vida e obra de Gabriela Leite, que estreou em 2024 no Sesc Avenida Paulista; e “Primavera Cega”, solo auto ficcional do artista Igor Iatcekiw, em codireção com Alejandra Sampaio, estreado em 2025.   Alguns dos seus trabalhos anteriores como diretora são: “O Corpo da Mulher Como Campo de Batalha”, de Matéi Visniec (2016); “Alice, retrato de mulher que cozinha ao fundo” (2016), que fez parte do projeto Escritoras na Boca De Cena e participou do Circuito Internacional de Teatro organizado pelo INT da Argentina; e “Soledad – A Terra é Fogo Sob Nossos Pés” (2015), espetáculo realizado em Recife, indicado ao prêmio de melhor direção do Festival Janeiro de Grandes espetáculos 2016, foi contemplado com 4 prêmios Funcultura  para realização de duas circulações nacionais e duas internacionais realizando apresentações em 4 estados do Brasil e 3 países da América Latina e que agora acaba de realizar uma circulação pela Espanha (outubro de 2022). No final de 2021, estreou mais dois trabalhos como diretora: “Mulheres Sonharam Cavalos”, de Daniel Veronese e “A Pane”, de Friedrich Dürrenmatt. E ainda em 2022, estreou “Inferno”, de Reafael Spregelburd.    FERNANDA VIACAVA – atriz   No Grupo TAPA atuou nas peças “Gata em Telhado de Zinco Quente”, “Vestir os Nus “e “A Falecida Senhora Sua Mãe”, todas dirigidas por Eduardo Tolentino. Atuou em peças como “O Exercício das Crianças”, dir. Noemi Marinho; e Gabri, dir. Malú Bazán, que lhe rendeu o PRÊMIO DE MELHOR ATRIZ no Festival de Passos.   No cinema, atuou nos filmes “Nossa Vizinhança, Silvio”, de Marcelo Antunez; “Uma Noite em Sampa”, de Ugo Giorgetti; “Volume Morto”, de Kauê Teloli; “Querida Mamãe” e “O Menino da Porteira”, de Jeremias Moreira. Sua atuação no curta “A Página”, de Guilherme Andrade, rendeu-lhe o PRÊMIO DE MELHOR ATRIZ nos festivais Tamoios (RJ) e Pop Corn (SP). No streaming, atuou em séries da Netflix, GloboPlay, Amazon, como “Sintonia”, “Boca a Boca”, “Onisciente” e “Crime Time”.   Alex Varela

  • Zurique: Antologia recebe memórias de 60 mulheres de oito países

    Imagem: Angela Brodbéck, coordenadora da “Antologia Internacional Mulheres que Mudaram o Destino”. Foto: divulgação A cidade de Zurique recebe, dia 20 de maio, o lançamento oficial da “Antologia Internacional Mulheres que Mudaram o Destino”, obra que reúne 60 coautoras de diferentes países, entre Portugal, Suíça, Alemanha, Itália, Brasil, Espanha, França e Israel. O projeto é coordenado por Angela Brodbéck, escritora residente na Suíça há mais de três décadas e fundadora da Associação Espaço Internacional da Mulher, organização ativa desde 2020 e oficialmente registada em 2025 na cidade de Zurique Segundo apurámos, a associação nasceu com o objetivo de fortalecer e conectar mulheres brasileiras e lusófonas no exterior, promovendo iniciativas nas áreas da cultura, educação e impacto social. A antologia surge como resultado desse trabalho coletivo e propõe dar visibilidade a trajetórias marcadas por superação, transição pessoal e afirmação profissional. O lançamento contará com a abertura da cantora de ópera brasileira residente em Berna, Claudia Gasparotto, e com a apresentação do último episódio da série documental “Eu Não Desisto de Você”, produzida pela realizadora Carla Sarmento, CEO da produtora Ourico Filmes e também coautora da obra. A programação inclui ainda a presença de 23 participantes vindas do Brasil, além da Presidente do Rotary Club e da Presidente da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, Seccional Rondónia. A publicação será editada pela Editora InVitro, fundada no Estado do Maranhão, no Brasil, e assume-se como um projeto de dimensão multicultural, reforçando pontes entre Brasil e Europa, com foco na Suíça, através da literatura e do protagonismo feminino. Segundo Angela Brodbéck, o livro nasce de um propósito definido. Esta responsável defende que a escrita funcionou, para muitas participantes, como um processo de revisão e reorganização da própria história, transformando experiências pessoais em testemunhos públicos com impacto coletivo. Entre as autoras portuguesas integra-se Ana Costa, 52 anos, que explica as razões da sua participação. “Decidi integrar a antologia “Mulheres que Mudaram o Destino” porque acredito que nenhuma circunstância define quem somos e que mudar o destino é um processo consciente”, afirmou, acrescentando que o ponto de viragem ocorre na forma como cada pessoa se posiciona perante as circunstâncias e sustenta que a transformação resulta de consciência, estrutura e decisão. Também Aurélia Baptista Rosário Alves, 55 anos, portuguesa, associa a sua participação ao trabalho que desenvolve junto de mulheres. “Decidi entrar na Antologia porque era congruente com o meu propósito e com o trabalho que realizo. Ajudar e empoderar mulheres para que consigam libertar-se das amarras que as impedem de resgatar a verdadeira essência é o poder pessoal”, declarou. O evento em Zurique materializa um percurso iniciado nos bastidores da diáspora lusófona e consolida uma rede intercontinental de colaboração feminina. Mais do que uma apresentação literária, a iniciativa afirma-se como um encontro internacional que coloca a escrita no centro de um movimento de reconhecimento e ligação entre comunidades. Ígor Lopes

  • “Caminho de Casa”, peça inédita da premiada autora Renata Mizrahi, estreia em 2 de abril na Arena do Sesc Copacabana

    Com direção de Miwa Yanagizawa, espetáculo traz no elenco as atrizes Kelzy Ecard e Juliana França Em “Caminho de Casa”, uma relação delicada entre mãe e filha é revis itada na sala de um consultório médico. Entre o humor e o drama, a peça aborda a história d estas duas personagens , interpretadas por Kelzy Ecard e Juliana França, que ressignificam uma relação marcada por conflitos, ausências e perda de memória. Com idealização e texto de Renata Mizrahi , e direção de Miwa Yanagizawa, o espetáculo estreia em 2 de abril na Arena do Sesc Copacabana, com sessões de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, às 18h.   A atriz Kelzy Ecard sobe ao palco para celebrar seus 35 anos de carreira no teatro, dando vida a Marta, uma mulher que sofre com a perda de memória progressiva e com o medo de não conseguir o perdão da filha, Laura, interpretada por Juliana França. No tempo presente, elas estão na sala de espera do consultório médico para uma consulta de Marta, que já não reconhece mais a filha. Elas conversam como duas desconhecidas, e Laura se permite revisitar as dores e realidades que levaram sua mãe a ir embora em um determinado momento de suas vidas. Antes de perder a memória de vez, Marta tenta resgatar em sua lembrança se foi perdoada pela filha.   Transcorrendo entre passado e presente, o público é convidado a conhecer diferentes épocas e momentos dessa relação, desde a infância de Laura até os dias atuais. A quebra da cronologia reflete a memória fragmentada de Marta, que alterna momentos de lucidez e devaneios. Nos anos 1980, Marta é uma mulher apaixonada pelo mar, que trabalhou duro para comprar um apartamento em Copacabana, cuidando também de seu casamento, de sua filha e de seu trabalho. A peça aborda a realidade de tantas mulheres que enfrentam a sobrecarga e o acúmulo de funções e sua relação com o esgotamento mental.   Idealizadora e autora do texto, Renata Mizrahi se inspirou em muitas mães e mulheres, mas também na relação com a própria mãe para criar as personagens de “Caminho de Casa”. “Eu sou a filha mais velha de três. Minha mãe era muito sobrecarregada e tinha uma relação conturbada com meu pai. Eu não tive intimidade com ela durante a adolescência, uma fase muito importante”, conta Renata, que se reconectou à mãe aos 18 anos. “Hoje, nossa relação não tem intimidade, mas tem respeito e carinho.”   A diretora Miwa Yanagizawa se emocionou bastante durante os ensaios. “A peça nos coloca o tempo todo diante de um espelho delicado que mostra a nossa terrível vulnerabilidade perante a vida”, revela a diretora, sem esconder a admiração pelas duas atrizes. “Tem sido uma aventura acompanhar a relação entre, Marta e Laura, da Kelzy e da Juliana, que fazem, brilhantemente, mãe e filha em cena! Elas vivem uma relação atravessada por ausências, silêncios, traumas que nunca foram muito elaborados, palavras que não foram ditas no momento certo, gestos que faltaram. E tem o fator trágico de a mãe estar perdendo a memória. Vemos as personagens recriando um vínculo afetivo à medida que as recordações vão se desfazendo. A gente ri e chora quase ao mesmo tempo”, completa Miwa Yanagizawa.   FICHA TÉCNICA: Idealização e Texto: Renata Mizrahi Direção Artística: Miwa Yanagizawa Diretora Assistente: Adassa Martins Elenco: Kelzy Ecard e Juliana França Trilha Sonora: Azulllllll Cenário: Tuca Benvenutti Figurino: Teresa Abreu Direção de movimento: Laura Samy Iluminação: Nina Balbi Produção Executiva: Christina Carvalho Produtora Assistente: Natália Dias Assessoria de Imprensa: Catharina Rocha e Paula Catunda Mídias Sociais: Nathália Alves Identidade Visual: Janaina Ferreira Realização: Teatro de Nós Produções Artísticas     SERVIÇO Espetáculo: “Caminho de Casa” Temporada: 2 a 26 de abril de 2026 Dias e horários: Quinta a sábado, às 20h. Domingo, às 18h Local: Arena do Sesc Copacabana ( Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana ) Ingressos:  R$30 (inteira), R$15 (meia), R$10 (credencial plena), gratuito (PCG) Informações: (21) 2547-0156 Horário de funcionamento da bilheteria: De terça a sexta, das 9h às 20h. Sábados, domingos e feriados, das 14h às 20h. Vendas online: https://www.ingresso.com/ Classificação indicativa: 12 anos Duração:   80 minutos Instagram: @caminhodecasaespetaculo     Minibios   Renata Mizrahi (idealização e texto) – É roteirista, dramaturga e diretora. Vencedora do Prêmio Shell 2014 por “Galápagos” (direção de Isabel Cavalcanti), pela qual também foi indicada ao Prêmio Cesgranrio e ao Prêmio APTR. A peça foi lida na Cuny University (Nova York).  É vencedora na categoria melhor texto no prêmio Zilka Salaberry com as peças “Coisas que a Gente não vê”, “Joaquim e as Estrelas” e “Nadistas e Tudistas”. Foi indicada na categoria melhor texto com os espetáculos: “Silêncio!” (prêmios FITA e Cesgranrio - 2014) e “Marrom Nem Preto, Nem Branco?” (prêmios Zilka Salaberry e CBTIJ - 2017). Indicada por melhor texto adaptado por “Ludi na Revolta da Vacina”, adaptação do livro de Luciana Sandroni (prêmios CBTIJ e Botequim Cultural – 2017). É autora de “Chica da Silva – O Musical” (direção de Gilberto Gawronski).   Miwa Yanagizawa (direção) – É atriz e diretora. Fundou o Areas Coletivo. Foi integrante da Cia de Teatro Autônomo, dirigida por Jefferson Miranda, por 17 anos. Trabalhou como diretora-pedagoga no Grupo Nós do Morro e participou da formação do Grupo Código, na cidade de Japeri (RJ), pelo projeto Tempo Livre. Na categoria melhor direção, ganhou os prêmios Shell e APTR pelo espetáculo “Nastácia”, de Pedro Brício; e APTR por “Em Nome da Mãe”, de Suzana Nascimento. Desde 2013, ministra oficinas a partir da pesquisa sobre a escuta na atuação desenvolvida pelo Areas Coletivo. Trabalhos recentes de direção: “Eu Capitu”, de Carla Faour e “Okama”, de Gabriel Saito.   Kelzy Ecard (atriz) – Com 35 anos de trajetória, Kelzy Ecard é reconhecida como uma das mais potentes atrizes de teatro de sua geração. Nos últimos anos, também vem se dedicando ao audiovisual. No teatro, foi indicada e honrada com os mais importantes prêmios, com indicações aos prêmios Mambembe, Shell, Aplauso, além de receber os Prêmios APTR (por “Incêndios” e “Rasga Coração”), Botequim Cultural (por “Tom na Fazenda”), Cenym (por “Incêndios” e ‘Tom na Fazenda”) e Questão de Crítica (por “Breu”, junto a Andreia Horta). Em 2020/2021 participou da experiência cênica online “Parece Loucura, mas Há Método”, com a Armazém Companhia de Teatro, com direção de Paulo de Moraes. Em 2025, estreou o espetáculo “Terminal”, com direção de Cesar Augusto. Atualmente, está no ar na novela Três Graças (TV Globo) e “Dona Beja” (HBO Max).   Juliana França (atriz) – É atriz, diretora, dramaturga, professora e cria de Japeri, na Baixada Fluminense. Mulher negra e mestre em Filosofia pela UFRRJ, com mais de 20 montagens teatrais e atuação contínua no teatro, no cinema e na televisão. Indicada ao 36° Prêmio Shell de Teatro (2025/2026) na categoria de direção por “Cabeça de Porco – Retratos de um Território”. Ganhou dois prêmios de melhor atriz coadjuvante com o espetáculo “Inimigo do Povo” (2009), dirigido por Miwa Yanagizawa. Entre 2019 e 2023, atuou em produções audiovisuais, recebendo mais de dez prêmios de melhor atriz em festivais de cinema, entre eles o Guarnicê, por “Neguinho” (2020) e “Amai-vos” (2022). Em 2023, participou das novelas “Vai na Fé” e “Elas por Elas” (TV Globo). De 2022 a 2024, circulou por mais de 18 países com o espetáculo “Depois do Silêncio”, de Christiane Jatahy. Em 2025, atuou em “Um Julgamento – Depois do Inimigo do Povo”, ao lado de Wagner Moura, e protagonizou o filme “Laudelina e a Felicidade Guerreira”, premiado no Festival de Brasília e na Mostra de Cinema de Gostoso. Integra o Grupo Código há 18 anos, onde é diretora e vice-presidenta.      Assessoria de imprensa: Catharina Rocha (21) 99205-8856 catharocha@gmail.com Paula Catunda (21) 98795-6583 paula.catunda@gmail.com Alex Varela

  • Otacílio Soares defende cooperação entre Brasil e Portugal “mais forte” nas áreas económica e financeira

    Otacílio Soares, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira. Foto: Fabrice Demoulin O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira (CCILB), Otacílio Soares, sublinhou a importância de transformar ideias em resultados concretos durante a cerimónia de entrega do Prémio “Aproxima Portugal-Brasil”, destacando o papel de personalidades que contribuem ativamente para o fortalecimento das relações luso-brasileiras. À margem do evento, em declarações à nossa reportagem, Otacílio Soares mostrou-se satisfeito com o resultado da noite e com os homenageados distinguidos. “O importante é deixar claro que só conversa não resolve, é preciso ação. A gente está homenageando quem faz a ação, quem faz acontecer”, afirmou. Segundo este responsável, os distinguidos são pessoas que, ao longo dos anos, conseguiram “transformar ideias em realidade”, com impacto direto na economia e na cooperação bilateral. “Essas ações fazem a criação de emprego, geração de renda e um relacionamento entre Brasil e Portugal cada vez maior”, acrescentou. O presidente da CCILB valorizou ainda a presença de representantes do governo português na cerimónia, nomeadamente do secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos. “É essencial. O relacionamento da Câmara com o governo português é ótimo”, afirmou, acrescentando que a instituição tem sido consultada “em vários assuntos de interesse luso-brasileiro”. No encerramento do evento, Otacílio Soares reforçou a ambição de aprofundar a ligação entre os dois países para além da migração. “Portugal e Brasil unem-se na cultura, na língua, e a gente quer que se una mais ainda”, afirmou, defendendo uma cooperação mais forte nas áreas económica e financeira. “A gente quer que Portugal e o Brasil possam unir-se cada vez mais na cultura, nas finanças, na economia, na pujança, e que a gente crie valor”, concluiu. A entrevista inseriu-se no âmbito de mais uma edição do “Prémio Aproxima Portugal-Brasil”, que reconhece várias personalidades, nas mais variadas categorias, pelos seus contributos para o fortalecimento da cooperação entre Portugal e Brasil, uma iniciativa promovida pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira, que, este ano, decorreu no Tivoli Kopke Porto Gaia Hotel, na cidade do Porto, Norte de Portugal. Ígor Lopes

  • Nota de Pesar : Juca de Oliveira

    É com profunda tristeza que a Revista do Villa lamenta o falecimento do ator, dramaturgo e diretor Juca de Oliveira, ocorrido na madrugada de 21 de março de 2026, em São Paulo, aos 91 anos.  Juca de Oliveira dedicou sua vida às artes cênicas, tornando-se um dos maiores ícones da dramaturgia brasileira. Com mais de seis décadas de carreira, brilhou em novelas memoráveis como O Clone, Avenida Brasil e Saramandaia, além de deixar sua marca no teatro e no cinema.  Sua trajetória é exemplo de talento, dedicação e amor à arte. O Brasil perde um artista singular, cuja obra atravessa gerações e continuará inspirando futuros criadores.  A Revista do Villa se solidariza com familiares, amigos e admiradores neste momento de dor, reafirmando o legado imortal de Juca de Oliveira para a cultura nacional.  Delcio Marinho

  • Brasil: Câmara dos Deputados assinalou 50 anos da Funcex em sessão solene em Brasília

    Fotos: Câmara dos Deputados do Brasil A Câmara dos Deputados do Brasil realizou, no último dia 10 de março, em Brasília, uma sessão solene em homenagem aos 50 anos da Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais, que tem hoje presença, além do Brasil, na Europa, em Portugal, e no Mercosul, desde o Uruguai. A cerimônia decorreu no Plenário Ulysses Guimarães e reuniu parlamentares, especialistas e representantes do setor econômico. A homenagem destacou o contributo da Funcex ao longo de cinco décadas na produção de conhecimento técnico sobre comércio exterior, na elaboração de estudos e na promoção do diálogo entre governo, academia e setor produtivo. A instituição tem desempenhado um papel relevante na análise da inserção do Brasil na economia global e no apoio à formulação de políticas públicas ligadas à competitividade internacional, às exportações e ao desenvolvimento econômico. Durante a sessão, foram também sublinhados os desafios atuais do comércio internacional, marcados por transformações geopolíticas, reorganização das cadeias produtivas e avanço tecnológico, reforçando a necessidade de instituições com capacidade analítica e visão estratégica. Na sua intervenção, o presidente da Funcex, António Carlos da Silveira Pinheiro, afirmou que “a Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais manifesta reconhecimento à Câmara dos Deputados pela realização desta sessão solene dedicada aos 50 anos da instituição”, referindo ainda o papel do presidente da Câmara, Hugo Motta, e do deputado Júlio Lopes na concretização da homenagem. O responsável destacou que “cinco décadas representam um marco significativo”, associando este percurso à produção de conhecimento, à formação de quadros técnicos e ao apoio ao setor empresarial. António Carlos da Silveira Pinheiro recordou que, desde a sua criação, em 1976, a Funcex consolidou-se como referência na análise do comércio exterior brasileiro, tendo desenvolvido um dos principais bancos de dados do país na área, instrumento utilizado por empresas, investigadores e decisores públicos. “A qualidade e a profundidade das informações produzidas permitiram transformar dados em inteligência económica”, disse. No plano estratégico, a instituição apontou como objetivo contribuir para o aumento da participação do Brasil no comércio global, com base em políticas sustentadas por parcerias entre setor público e privado e na diversificação das exportações. O discurso evidenciou ainda a necessidade de adaptação a um cenário internacional em mudança. A sessão assinalou igualmente a nova fase de internacionalização da Fundação, com a criação de estruturas fora do Brasil. A presença da Funcex Europa, em Portugal, e da Funcex Mercosul, no Uruguai, foi destacada como parte de uma estratégia de aproximação entre mercados e de reforço das relações económicas com a União Europeia, o Mercosul e os países da CPLP. A cerimônia contou ainda com a participação do Padre Omar Raposo, CEO da Funcex Ação Social e Reitor do Santuário Cristo Redentor, que integrou o conjunto de intervenientes presentes na sessão solene. O presidente da instituição referiu que esta etapa marca uma evolução do posicionamento da Fundação, que passa a integrar de forma mais ampla a análise económica, a formação técnica e a articulação de relações internacionais. “Cinquenta anos representam continuidade e credibilidade, mas também um ponto de partida para novos desafios”, afirmou, acrescentando que o comércio exterior “é uma questão de visão de futuro, de cooperação entre nações e de confiança na capacidade do Brasil de dialogar com o mundo”. A sessão solene ficou marcada como um momento de reconhecimento da trajetória da Funcex e do seu contributo contínuo para o debate económico e estratégico no Brasil. A gravação integral pode ser consultada em https://www.youtube.com/live/vTn-pBW2uN4 A próxima etapa das celebrações pelos 50 anos da Funcex decorre no dia 25 de março, com a presença de entidades e autoridades no Rio de Janeiro. Recorde-se que a FUNCEX foi fundada em 12 de março de 1976 sob a denominação “Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior”, com foco no desenvolvimento do comércio exterior brasileiro, sendo hoje considerado “um centro de inteligência e estudos na área”. Ígor Lopes

  • Entrevista – Produtor Cultural e Ator

    Nome artístico: Fabricio Cumming O cenário cultural brasileiro é construído por profissionais que transitam entre diferentes funções, conectando ideias, pessoas e projetos. O produtor cultural e ator ocupa um papel estratégico nesse processo: ao mesmo tempo em que cria e interpreta, também viabiliza, organiza e impulsiona a arte. Nesta entrevista para a Revista do Villa, conversamos com um artista que atua nos bastidores e nos palcos, unindo sensibilidade artística e visão de produção para fortalecer a cultura e ampliar o alcance das expressões criativas. Entrevista DM 1 — Para começarmos, poderia se apresentar aos leitores da Revista do Villa? Qual é o seu nome artístico ou profissional, sua cidade, formação e como se define dentro da arte: ator, produtor ou ambos? Sou Fabricio Cumming, da cidade de Salvador, Bahia. Sou ator formado pelo 17º Curso Livre da Universidade Federal da Bahia. Sou ator por formação e vocação, mas, para que tudo acontecesse, houve a necessidade de virar produtor, para trazer à tona os projetos e viabilizar sua criação e desenvolvimento. Tenho também desenvolvido, nos últimos 12 a 13 anos, a função de apresentador e mestre de cerimônia. Dentre os meus projetos, tenho trabalhado com os mais diversos públicos: com a juventude, no Sucesso Aqui Vou Eu, que virou o programa de TV Periferia de Sucesso, momentaneamente fora do ar por questões de patrocínio, mas que envolvia mais de 300 jovens em cada edição, entre artistas, público e equipe de produção. Realizo anualmente o Miss Subúrbio Gay, que é um dos projetos voltados ao público LGBTQIA+, assim como o Festival Diversas Suburbanidades. Para o público do rap, desenvolvo o Vem Pra Rua Rappers. Esses são alguns dos principais dentro de uma gama maior de projetos que executo. Como ator, estou atualmente ensaiando uma peça do autor Filipe Harpo, com quem trabalhei em O Beijo da Rainha. Retomamos a parceria para um novo projeto, ainda em segredo, que estreia em breve na comemoração dos meus 30 anos de carreira e 50 anos de idade, que completo neste ano. DM 2 — Como surgiu sua trajetória nas artes e em que momento você percebeu a necessidade de também atuar como produtor cultural? Artista não nasce — como se diz aqui na Bahia, já estreia. Desde muito cedo eu já me via enquanto artista, mas profissionalmente isso começou por volta dos 19 anos de idade, quando participei do projeto Toma Lá Dá Cá, do Teatro Vila Velha, aqui em Salvador. Logo após, ingressei no Curso Livre, fazendo duas peças consecutivas. No próprio curso, o produtor já aparece para ajudar a viabilizar todo o aparato necessário para que as peças aconteçam. Junto com meu colega de curso Eduardo Scaldaferri, nos tornamos produtores — e nunca mais largamos essa função. Ultimamente, o produtor tem se sobreposto muito ao ator. Trabalhei em mais de 10 produções de exposições de arte visual junto ao acervo da Laje, em museus importantes como o MAM e o MAR, no Rio de Janeiro, além dos SESCs Belenzinho e Pompeia e do Itaú Cultural, em São Paulo, na Avenida Paulista. O ator tem espaço em diversos comerciais de TV e, em breve, retorna com força total no monólogo que mencionei anteriormente. Podemos até guardar um pouco a função de ator, mas ela sempre volta. Também estou tentando viabilizar a organização e digitalização do meu acervo, que conta com milhares de fotos, recortes, jornais e revistas, registrando não só a minha história, mas uma parte importante da produção cultural do Subúrbio Ferroviário de Salvador, onde nasci e fui criado. DM 3 — Na prática, quais são os maiores desafios de conciliar o trabalho artístico com a produção de projetos culturais? Ter que dar conta de tudo e ainda estar pleno em cena quando o espetáculo começa. A vida de produtor não é fácil, principalmente em Salvador, onde os investimentos não são tão grandes quanto no eixo Rio-São Paulo. Nesses grandes centros, cada função tem um profissional específico. Aqui, a gente “se vira nos 30”, como diria Faustão. DM 4 — Como produtor, você enxerga mudanças no cenário cultural brasileiro nos últimos anos? O acesso, os investimentos e o público evoluíram ou regrediram? Hoje, os programas de isenção fiscal e as leis de incentivo à cultura têm ajudado bastante para que a máquina cultural funcione. Infelizmente, como somos um país com muitas desigualdades, nem todos podem pagar para ter acesso à cultura. Por isso, esses mecanismos são fundamentais. Ter um Ministério da Cultura forte, junto com instituições como a Funarte e políticas como a Lei Aldir Blanc, tem transformado o cenário artístico e cultural do nosso país. DM 5 — E como ator, o que mais te move na construção de um personagem? Existe diferença entre o olhar do ator e o olhar do produtor dentro de um mesmo projeto? Um bom papel e um bom texto sempre vão mover um ator. Estar em cima de um palco é um momento único de comunhão com o público, que está ali para sair transformado após o espetáculo. Alguma coisa ele precisa levar daquele momento. Sendo também produtor, o deslumbramento fica um pouco de lado, pois sei até onde o orçamento vai e quais são as reais possibilidades do projeto. Mas, claro, sempre queremos mais — e lutamos diariamente por isso. DM 6 — Para finalizar, que conselho você daria para quem deseja entrar no meio cultural hoje, seja como artista ou como produtor? Estude bastante, procure boas referências. Infelizmente, a juventude hoje tem tudo nas mãos e não utiliza isso da melhor forma. Prefere o raso das redes sociais e esquece de pesquisar e aprofundar o conhecimento. É impossível ser um bom ator sem saber quem é Fernanda Montenegro, sem conhecer os grandes nomes do cinema ou sem saber quem foi Walter Pinto, um dos maiores produtores do teatro de revista no Brasil. Buscar a memória é uma dádiva — e hoje tudo está ao alcance das mãos. Entrevista por Delcio Marinho & ChatGPT Delcio Marinho

  • 2ª edição do Filosofia em Notas terá participação de Charles Gavin na Laura Alvim, em Ipanema: dia 31/3

    2ª edição do projeto terá participação de Charles Gavin e Regina Navarro Lins O amor que habita em nós será tema da segunda edição do projeto “Filosofia em Notas”, que acontecerá na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema, no dia 31 de março, das 19h às 21h30. Idealizado por Hanri Soares, jornalista, filósofa e psicanalista clínica, o evento integra filosofia, psicanálise e música ao vivo em uma experiência cultural sensível e reflexiva. O encontro contará com a participação especial de Charles Gavin, músico, pesquisador e produtor cultural conhecido por sua trajetória como baterista dos Titãs e por seu trabalho de preservação da memória da música brasileira. Gavin trará ao debate uma leitura cultural e estética das canções que marcaram gerações, refletindo sobre como a música popular traduz emoções, afetos e conflitos amorosos presentes na experiência humana. A mediação será conduzida por Hanri Soares, especialista em Filosofia pela PUC-Rio, jornalista e psicanalista clínica, idealizadora da página @OFilosofo_, que reúne milhares de seguidores ao traduzir conceitos filosóficos para a vida cotidiana com linguagem acessível, sensível e contemporânea.   “O Filosofia em Notas não é apenas um evento. É uma experiência sensorial e reflexiva. Entre música ao vivo, leitura comentada e debate com o público, a proposta é criar um espaço onde pensar não seja um ato frio, mas um gesto de coragem. Porque talvez o que nos habita não seja apenas o amor. Mas também a necessidade de compreender quem somos diante dele”, diz Hanri Soares.   No campo da filosofia, Hanri dividirá o palco com Remo Mannarino Filho, Professor Doutor em Filosofia pela PUC-Rio e coordenador da PUC-Rio. Reconhecido por sua pesquisa em filosofia clássica e pela capacidade de tornar os textos antigos vivos para o público contemporâneo, Remo abordará o pensamento sobre o amor desde O Banquete de Platão, passando por autores como Schopenhauer e Nietzsche, explorando as tensões entre desejo, razão e existência. A dimensão psicanalítica e das relações contemporâneas será trazida por Regina Navarro Lins, psicanalista, escritora e uma das principais pesquisadoras brasileiras sobre sexualidade, amor e transformações nas formas de relacionamento. Autora de diversos livros sobre o tema, Regina investigará como o amor se transforma ao longo da história e como as relações afetivas contemporâneas revelam novas formas de desejo, liberdade e conflito. A trilha sonora da noite será interpretada por Jonatas Belgrande, que apresentará canções dos Titãs, criando pontes entre a música brasileira e os temas filosóficos discutidos no palco. As letras serão comentadas pelos convidados, ampliando o diálogo entre pensamento, arte e experiência afetiva. Nesta edição, o encontro articula três dimensões fundamentais da experiência humana: “O Amor”, como movimento de desejo e falta; “A Filosofia”, como exercício de pensamento crítico; “A Psicanálise”, como escuta do inconsciente e das marcas da infância que atravessam nossos vínculos. Sua proposta é aproximar o pensamento filosófico da experiência cotidiana, criando um encontro entre reflexão intelectual e expressão artística. No palco, filosofia e música dialogam para investigar uma das questões mais universais da existência humana: o amor. Com grande repercussão, o projeto teve sua estreia no mesmo local com o cantor Paulinho Moska, consolidando a proposta de unir pensamento e arte em um formato acessível e contemporâneo.   Serviço Local: Casa de Cultura Laura Alvim Endereço: Av. Vieira Souto, 176 - Ipanema Data: 31 de março, às 19h Ingressos: R$ 130,00 (inteira) e R$ 65,00 (meia entrada) Vendas: https://funarj.eleventickets.com/#!/apresentacao/136ee01f82a456663f899182fcc46a6f9b6d018d Capacidade: 190 lugares Assessoria de imprensa: BriefCom Assessoria de Comunicação/Bia Sampaio (21) 98181-8351/biasampaio@briefcom.com.br /@briefcomcomunicacao Alex Varela

bottom of page