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LUSO-BRASILEIRA

REVISTA DO VILLA

Luso-Brasileira

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Tudo acontece na Lata(m)! Há experiências de viagem que nos fazem perguntar se estamos a atravessar o Atlântico ou a atravessar o tempo.

Na rota Lisboa–São Paulo–Lisboa, a LATAM continua a operar, em várias ligações, com um Boeing 777777 que já viveu demasiadas vidas. Velho. Cansado. Sem internet.


E é aqui que afirmo que tudo acontece  Lata(m). 


Pedro Ramos
Pedro Ramos

Uma viagem intercontinental de cerca de dez horas, entre duas cidades tão ligadas por negócios, pessoas, cultura e afetos, sem conectividade a bordo, já não é uma escolha de “desligar”. É isolamento. Para muitos passageiros, como eu, estar offline durante tantas horas representa perder contacto com parceiros, equipas, família, projetos, decisões e oportunidades.


Em 2026, a internet num voo desta natureza não deveria ser um luxo. Deveria ser infraestrutura.


Não é necessário transformar o avião num escritório. Mas também não faz sentido tratar a conectividade como um capricho de passageiros exigentes. O mundo trabalha, constrói conhecimento, comunica e decide em movimento. Quem voa entre Lisboa e São Paulo sabe disso melhor do que ninguém.


A refeição também merece uma palavra. À saída de Lisboa, o serviço alimentar é claramente melhor. À saída de São Paulo, a proposta fica muito aquém: pouca qualidade, nenhuma inspiração e pouco cuidado. Numa viagem de dez horas, a refeição não resolve tudo, mas comunica muito sobre a atenção que uma marca dedica ao cliente.


Mas há um aspeto que não pode passar despercebido: as tripulações.

As equipas da LATAM são, muitas vezes, o melhor da viagem. Simpáticas, atenciosas, disponíveis e profissionais. Fazem tudo para que o passageiro se sinta bem, mesmo quando o equipamento e a proposta de serviço não ajudam. Merecem reconhecimento, porque não são elas que escolhem aeronaves envelhecidas, decidem não disponibilizar internet ou aprovam menus sem qualidade.


Também no embarque de saída do Brasil há matéria para reflexão. O acesso preferencial, indispensável para quem dele realmente necessita e previsto na legislação, tornou-se frequentemente num processo tão alargado que parece incluir mais de metade dos passageiros e uma quantidade generosa de malas de cabine. 


Respeitar a lei é obrigatório. Respeitar necessidades reais é uma questão de humanidade. Mas organizar o processo, reduzir abusos e assegurar equidade para todos os passageiros também é gestão.

Porque, quando metade do voo embarca antes dos restantes, os compartimentos ficam cheios, as malas acabam longe dos donos e quem aguarda pelo seu grupo descobre que cumprir a regra pode ser uma desvantagem.


A LATAM tem escala, presença, uma rede extraordinária e profissionais de grande qualidade. Mas não voa sozinha. A TAP tem melhorado bastante a experiência com aeronaves muito recentes e uma boa conectividade. A Azul, por seu lado, também apresenta uma proposta bem mais contemporânea ao nível do serviço de bordo.


A comparação é inevitável.


E, com pena minha, hoje a conclusão é simples: a LATAM precisa de renovar o equipamento que coloca nesta rota. Não por vaidade. Não por luxo. Mas porque Lisboa–São Paulo é uma rota estratégica, exigente e demasiado importante para ser servida por uma experiência que parece ter ficado parada no tempo.


Pois... Tudo acontece na Lata(m).

Mas talvez esteja na altura de a LATAM (querendo deixar de proporcionar um serviço ao nível de viajar na lata...) decidir que quer que aconteça algo melhor.


Pedro Ramos


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