“Sob a proteção de Olorum, inicio meus trabalhos…”
- Alex Gonçalves Varela

- 13 de mai.
- 2 min de leitura
Atualizado: 15 de mai.
Estreou, para uma nova temporada, “Abdias do Nascimento”, no teatro do Centro Cultural da Justiça Federal.

A realização é da Evoé Produções Artísticas.
A Idealização é de Lincoln Oliveira.
O texto de Ivan Jaf e Diego Ferreira é de resgate de memória, de atitude de resistência, valoriza uma determinada personalidade preta, celebrativo, poético, emocionante, inclusivo, anti racismo estrutural, anti patriarcado, contrário à sujeição dos corpos pretos, clama respeito pelas divindades afro-brasileiras, defende a diversidade, crítico e contemporâneo. Evidencia as ações do escritor, senador, ativista e fundador do Teatro Experimental do Negro (TEM) Abdias do Nascimento, sublinhando as suas ações de luta pela igualdade racial.
O texto poderia ter explorado também a atuação de Abdias no campo artístico, com suas bonitas produções. Foi uma lacuna no espetáculo.
O elenco é constituído por Lincoln Oliveira, que interpreta Abdias do Nascimento, e Fernando Porto, que atua como o personagem do diretor. No geral, os dois estão unidos, entrosados e afinados. Eles interpretam com qualidade, e emocionam. Dominam o texto e o palco. Estabelecem uma boa comunicação com o público. Portanto, eles têm uma atuação deferida e merecedora de aplausos.
Individualmente, o ator Fernando Porto faz um diretor dinâmico, que se movimenta intensamente, de forma fácil pelo palco, intenso e pulsante. Por sua vez, Lincoln Oliveira interpreta com qualidade Abdias do Nascimento, apresenta com clareza seu pensamento, embora muito estático e parado. Quando o diretor pede que ele “solte seu quadril”, e faça gestual com as mãos, transparece estar travado, não tão a vontade. Faltou ficar mais a vontade.
A direção de Johayne Hildefonso e Iléa Ferraz focou no texto e deixou os dois atores livres em cena para realizarem a sua convincente atuação.
Nello Marrese e Monica Carvalho são os responsáveis pela criação da cenografia e do figurino.
A cenografia é simples, criativa e original, caracterizada pela estética de um universo de matérias-primas sob a égide
das referências africanas.
Os figurinos são simples, adequados, e facilitam a locomoção dos atores pelo palco. Os atores ao longo do espetáculo utilizam adornos africanos, como, no caso de Abdias do Nascimento, coroa e manto.
A iluminação de Daniela Sanchez apresenta um desenho de luz que contribui para realçar a interpretação dos atores. A variação luminosa acompanha o contexto das cenas, criando ritmo e dinamismo e complementando as falas do elenco.
A trilha sonora de André Abujamra é funcional e adequada.
A montagem é simples, e sem sofisticação; texto que apresenta argumentos bem construídos e uma narrativa potente, que celebra a trajetória de Abdias Nascimento, e a sua luta pela igualdade racial; e uma dupla de atores que interpreta com qualidade, e emociona.

Ótima Produção Cênica!
Alex Varela

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