top of page
FB_IMG_1750899044713.jpg
FB_IMG_1750899044713.jpg

LUSO-BRASILEIRA

REVISTA DO VILLA

Luso-Brasileira

luso-brasileira

Em visita a Portugal, médico do “Boca Juniors” explicou ligação entre ciência muscular no desporto de alto rendimento e a fibromialgia

Foto: Agência Incomparáveis/Montagem com recurso à IA


O médico fisiologista do Club Atlético Boca Juniors, da Argentina, Gustavo Ariel Esteban, foi empossado Académico Correspondente da Academia Portuguesa de Fibromialgia, Síndrome de Sensibilidade Central e Dor Crónica, numa cerimónia realizada no final de janeiro, na Covilhã, região Centro de Portugal. Uma distinção que reconhece o trabalho desenvolvido pelo especialista argentino nas áreas da nutrição, suplementação e farmacologia do desporto, bem como a investigação que sustenta a sua obra “Objetivo Músculo”, centrada nos mecanismos de desenvolvimento muscular e na aplicação clínica da fisiologia do esforço.


Licenciado em Medicina pela Universidade Nacional de La Plata e com formação avançada em Medicina do Desporto, Gustavo Esteban dirige o projeto “Recuperation” e acompanha atletas de alto rendimento no futebol argentino.

Durante a sua passagem por Portugal, e em entrevista exclusiva à nossa reportagem, este médico enquadra a homenagem sugerida pelo presidente e fundador da referida Academia, José Luis Arranz Gil, como resultado do “reconhecimento europeu de um percurso dedicado ao estudo da suplementação nutricional e do papel do músculo enquanto órgão com função metabólica ativa”.


“O músculo já não é apenas um tecido de sustentação, é um órgão de secreção interna que pode melhorar fatores metabólicos e cardiovasculares”, afirmou este responsável, defendendo que a compreensão da fisiologia muscular permite potenciar não só o rendimento desportivo, mas também abordagens complementares em patologias como a fibromialgia.


No sessão, este especialista apresentou a comunicação “Objetivo Músculo no Desporto e no Exercício versus na Fibromialgia”, estabelecendo pontes entre o treino de alto rendimento e a resposta muscular em contextos de dor crónica. Para Esteban, o rendimento assenta em três pilares clássicos: treino, descanso e alimentação, aos quais acrescenta um quarto elemento.


“A suplementação gera um efeito aditivo a essa estrutura”, sustentou o médico, sublinhando que qualquer intervenção deve respeitar o princípio da individualidade e evitar padronizações.


A Agência Incomparáveis conversou com este profissional que aprofundou os projetos que está a desenvolver, além das iniciativas orientadas para a aplicação prática do conhecimento científico no acompanhamento de atletas e na educação em saúde, numa fase em que o debate internacional sobre substâncias como a creatina, tema do seu próximo livro, ganha novo enquadramento científico.


Como recebeu a homenagem da Academia Portuguesa de Fibromialgia?


Esta oportunidade surge porque eu investigo muito e me dedico, dentro do meu âmbito de trabalho, à suplementação nutricional. Escrevi sobre suplementação nutricional e a função que pode cumprir o suplemento a nível muscular. O livro chegou ao conhecimento da Academia e o seu presidente, José Luis Arranz Gil, se interessou pelo tema, porque vê que o tratamento da Fibromialgia pode ser potencializado com o uso de alguns tipos de suplementos. A partir disso, começou o nosso contacto e fui convidado para ser académico, o que muito me honra. Sei a importância que esse título tem ao nível europeu. Então, isso me enche de orgulho porque é o reconhecimento do que eu faço e do que eu estudo.


Durante o evento da Academia apresentou um estudo que fala sobre a questão muscular no desporto. O que as pessoas que sofrem com Fibromialgia podem usufruir em termos de conhecimento e experiência através do seu estudo?


Mais do que estudo, é o livro. O livro conta como o músculo se transforma em um órgão e esse órgão, bem tratado, nos ajuda a tratar muitos problemas que poderíamos ter a nível de saúde. Hoje, o músculo não é mais considerado um tecido de sustentação, mas um órgão de secreção interna, que pode modificar e melhorar questões metabólicas, cardiovasculares, hipertensão arterial e muitos outros fatores de risco de doenças não transmissíveis, e que são melhoradas com a atividade muscular. É isso que explico no livro. A mesma atividade muscular pode ser potencializada com o uso de diferentes suplementos, entendendo o que é a fisiologia do músculo e como é o comportamento de cada um dos suplementos dentro da estrutura muscular.


Hoje a fisiologia do músculo é muito importante para o desporto rei, para o futebol. Isso faz com que os atletas tenham até mais tempo de profissão. Como é que avalia o trabalho dos clubes, no geral, na atenção aos músculos? Estamos no caminho certo?


Eu sou fisiólogo, mas não somos muitos.  Historicamente, a medicina do desporto foi tomada pela traumatologia, que é uma parte extremamente importante dentro do desporto, mas também é a fisiologia. Acho que a fisiologia aporta temas que outras especialidades, não, como potenciar os processos de recuperação, melhorar os processos de reabilitação, melhorar o rendimento dessas pessoas que praticam o futebol em alto rendimento, como também em qualquer outro tipo de desporto. Atualmente, a recuperação muscular é uma das forças mais importantes. E vemos essa preocupação da recuperação muscular em grandes clubes no mundo, seleções de países, nos mundiais de futebol, é algo que preocupa muito. Muitos atletas ficam afastados das grandes competições por algum tempo, em virtude dessa recuperação. As vezes podemos pensar: a culpa é do atleta ou é do preparador físico desse atleta? É um conjunto de coisas, não é nem de culpa de um nem de outro, mas de como se pode trabalhar interdisciplinarmente em todas as áreas. Temos que aprender a trabalhar em conjunto. E esse trabalho em conjunto é o que faz com uma pessoa depois possa render. Mas nada é absoluto. Não é tudo neurociências, ou tudo fisiologia, ou tudo traumatologia. Nem tudo tem nutrição. Tudo tem de ser feito em conjunto. Eu acho que ao entender a fisiologia muscular nós aprendemos. Uma vez que aprendemos sobre treinamento, percebemos, e nos ensinam, que o rendimento desportivo está baseado em três pilares: treinamento, descanso e alimentação. Particularmente, acho que a suplementação gera um efeito aditivo a essa estrutura, formando um quarto pilar, pois ajuda bastante nesse processo, seguramente.


Fale um pouco sobre o livro que trouxe até a Covilhã…


O livro, em certa medida, explica como o corpo humano tem diferentes tipos de fibras musculares. Fala da fisiologia, o que pode ser estimulado, onde começam os processos de ruptura, onde se melhora o processo anabólico. Conta os mecanismos pelos quais podemos chegar a estimular o ganho de massa muscular e conta um pouco a descrição dos suplementos que principalmente poderiam chegar a atuar na estrutura muscular. Independente de que existam classificações para o uso dos suplementos, acho que o conhecimento e a razão desde a fisiologia fazem com que possamos aplicar corretamente o uso de um ou outro suplemento para o desportista em questão.


Existe uma avaliação única para cada atleta, por exemplo?


Exatamente. Não posso padronizar o uso de um suplemento. Cada um tem uma necessidade extra, e isso tem que ser tratado de forma única para que o rendimento seja melhor.


Disse que existem poucos profissionais da sua área atuando hoje nos clubes de futebol…


Fisiólogos há bastante, mas com um olhar médico. E a medicina não aborda a fisiologia como especialidade médica.


Acha importante que os clubes comecem a olhar para esse tipo de função com mais cuidado?


Sim, claro. Isso é vital. Quanto vale um jogador de futebol? Então, se eu não cuidar do nosso património, estou a investir mal o dinheiro da instituição. Hoje o futebol é uma instituição valiosíssima.


Acompanha o futebol em Portugal?


Vejo, mas não tanto. Sigo muito o Boca Juniores e o futebol argentino. Os jogadores que passaram pelo clube, vejo-os aqui Europa, também. Mas vejo também Fórmula 1 e MotoGP. Por isso, digo, há questões que a visão da fisiologia faz com que se entenda muitas outras coisas.


A medicina fisiológica serve para todos os desportos?


Se houver uma adaptação, sim, mas não se pode padronizar. Individualiza-se e trabalha-se de acordo com cada cenário. Uma das leis do treinamento é o princípio da individualidade. Então, tem que se conhecer o perfil fisiológico do desportista em questão, ver as suas carências, como podemos melhorá-las.


Onde as pessoas podem adquirir o seu livro?


Para outros países fora da Argentina, a obra está em formato digital para quem quiser estudar essa área. Já na Argentina, existe o livro físico.


O livro pode ser solicitado pelo meu Instagram: @gustavoaesteban


Agora, estou a escrever outro livro que será lançado ainda este ano, sobre a creatina, pois, internacionalmente, já se começa a falar sobre o tema de outra maneira. Depois de muito ter estudado a creatina do ponto de vista fisiológico, percebi que vai muito mais além do que até hoje se sabe.


Ígor Lopes


Comentários


©2024 Revista do Villa    -    Direitos Reservados

Política de Privacidade

bottom of page