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Revista do Villa

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Revista luso-brasileira de conteúdo sobre cultura, gastronomia, moda, turismo,

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Amélia Earhart no Brasil

 

“A fragilidade da mulher é toda aparente,

e ela pode em tudo rivalizar com o homem,

realizando os mesmos gestos

 cheios de audácia e de beleza.”

(Amélia, em entrevista ao jornal A Razão, do Ceará. 8/6/1937)


Foto 1. Amélia diante de seu Lockheed 10 E. Electra. 1937. Underwood & Underwood Alamy Banco de Imagem.
Foto 1. Amélia diante de seu Lockheed 10 E. Electra. 1937. Underwood & Underwood Alamy Banco de Imagem.

Foi na segunda metade da década de 1920 que uma nova geração de aviadoras se lançou ao desafio de realizar voos de grande distância ou transoceânicos, os chamados “raides aéreos”. Eleanor Smith, Ruth Elder, Marvel Crosson, Louise McPhetridge Thaden, Elsie Mackay, Lady Heath e outras pioneiras lograram êxito ou pereceram em suas tentativas.

  

Foto 2. Elinor Smith. Sem data ou autor. Imagem de internet.
Foto 2. Elinor Smith. Sem data ou autor. Imagem de internet.
Foto 3. Elsie Mackay. Sem data e fotógrafo. Imagem de Internet
Foto 3. Elsie Mackay. Sem data e fotógrafo. Imagem de Internet
Foto 4. Ruth Elder. Sem data e fotógrafo. Evening Standard.
Foto 4. Ruth Elder. Sem data e fotógrafo. Evening Standard.
Foto 5. Mary Marvel Crosson. Sem data e fotógrafo. Imagem de Internet
Foto 5. Mary Marvel Crosson. Sem data e fotógrafo. Imagem de Internet

No Brasil, tivemos o pioneirismo das paulistas Thereza di Marzo e Anésia Pinheiro Machado que, no início dos anos de 1920, conquistaram seus brevês. Erroneamente, alguns jornais brasileiros acreditavam, em 1910, que Amalie von End era brasileira e seria a piloto pioneira do Brasil, porém, tratava-se de um equívoco.

 

Foto 6. Thereza Di Marzo. c.1922. Revista Careta. Fotógrafo desconhecido. Acervo BNRJ.
Foto 6. Thereza Di Marzo. c.1922. Revista Careta. Fotógrafo desconhecido. Acervo BNRJ.
Foto 7. Anésia Pinheiro Machado. c.1922. Revista Fon Fon. Fotógrafo desconhecido. Acervo BNRJ.
Foto 7. Anésia Pinheiro Machado. c.1922. Revista Fon Fon. Fotógrafo desconhecido. Acervo BNRJ.

Amélia começou a ter aulas de voo com a aviadora Neta Snook em 1920. Bateu seu primeiro recorde em 1922, o de altitude de voo, com seu próprio avião, que apelidou de "canário”.

 

Foto 8. Miss Earhart em várias ocasiões. Várias datas. Revista da Semana. Fotógrafos desconhecidos. Acervo BNRJ.
Foto 8. Miss Earhart em várias ocasiões. Várias datas. Revista da Semana. Fotógrafos desconhecidos. Acervo BNRJ.

Wilmer Stultz foi o piloto do avião Fokker, apelidado de Friendship, quando Amélia participou como tripulante, junto a Lon Gordon, de um voo transatlântico, em junho de 1928. Partindo da Terra Nova até Burry Port, País de Gales, no dia 19 daquele mesmo mês. Stultz forneceu à Marinha do Brasil 40 aparelhos Curtis, que ele mesmo montou e experimentou, em 1923. Provavelmente em março daquele ano, quando chegou a bordo do paquete Western World, vindo de Nova York. George Putnam, um editor, foi quem a convidou para a aventura. Posteriormente, ela se casou com o editor, que se tornou um divulgador de suas conquistas. O feito de Miss Earhart foi coberto pelos registros cinematográficos da Paramount News, distribuídos em todo o mundo.

 

Foto 9. Wilmer Stultz. c.1928. Arquivo Boston Public Library.
Foto 9. Wilmer Stultz. c.1928. Arquivo Boston Public Library.
Foto 10. Amélia e seu marido George. Sem data e fotógrafo. Wikimedia Commons. Imagem de internet
Foto 10. Amélia e seu marido George. Sem data e fotógrafo. Wikimedia Commons. Imagem de internet

Após o grande feito, Amélia Earhart continuou com seus desafios e quebra de recordes. Em meados de 1932, fez a travessia, solo, do Atlântico Norte, partindo de Harbour Grace, Terra Nova, Canadá, até descer nos pastos de Culmore, Irlanda do Norte. A aviadora visitou capitais europeias, onde foi recepcionada por admiradores e autoridades, com banquetes, além de receber a Grã-Cruz da Aviação pelo Congresso Americano. No final de agosto do mesmo ano, ela atravessou os EUA, de Los Angeles até Nova York.

 

Foto 11. Amélia cumprimenta o emabixados dos EUA em Londres. 1932. Jornal A Noite. Fotógrafo desconhecido. Acervo BNRJ.
Foto 11. Amélia cumprimenta o emabixados dos EUA em Londres. 1932. Jornal A Noite. Fotógrafo desconhecido. Acervo BNRJ.

 Desde o início de fevereiro de 1937, Amélia anunciava pelas agências de notícias internacionais sua intenção de dar a volta ao mundo em um avião. Saindo de Oakland, passaria por Honolulu, Ilha Howland, Nova Guiné, Port Darwin, na Austrália e assim por diante. O avião, um Lockheed-Electra, custou 90 mil dólares e estava equipado com rádios de ondas curtas e longas, e desenvolvia uma velocidade de 150 milhas por hora com combustível para percorrer 4 mil milhas. Nos cálculos, a viagem custaria 100 mil dólares americanos. Quanto ao financiamento da aventura, existe uma controvérsia. Algumas fontes dizem que, em parte, os custos foram cobertos por seu marido. A outra parte foi financiada pela garantia do naming right do avião: o “Laboratório Voador da Universidade de Purdue”, no estado de Indiana. Em outras fontes, foi a venda de envelopes de mala postal para colecionadores.

 

Foto 12. Amélia sobre o Laboratório Voador. c.1937. Fotógrafo desconhecido. Acervo Universidade de Purdue.
Foto 12. Amélia sobre o Laboratório Voador. c.1937. Fotógrafo desconhecido. Acervo Universidade de Purdue.

 

O plano era que o aviador Harry Manning a acompanhasse até a Austrália, de onde ela seguiria sozinha na viagem. Dia 17 de março de 1937, ela partiu da Califórnia para iniciar o percurso. Aterrisou na baía de Honolulu no dia 18. Dessa vez, Miss Earhart não perseguia recordes, mas queria provar a viabilidade de transportes aéreos regulares em volta do mundo, além da reação do corpo humano em voos de longa distância. Porém, ao tentar decolar da baía de Honolulu, no dia 20 de março, o avião caiu. Ninguém ficou ferido. A aviadora e sua tripulação, que incluíam Manning e Fred Noonan, volta

ram de navio para os EUA. O Lockheed foi enviado à fábrica da aeronave para reparos, que ficariam prontos em 3 semanas.

 

Foto 13. Amélia Earhart.  Fotógrafo e data desconhecidos. Imagem de internet.
Foto 13. Amélia Earhart. Fotógrafo e data desconhecidos. Imagem de internet.

No final do mês de março, Amélia já anunciava sua segunda tentativa, desta vez do ocidente para o oriente, seguindo parte de uma rota regular da companhia “Imperial Airways”. A heroína iria percorrer 28 mil milhas, partindo de Oakland, Califórnia, em 8 etapas, que durariam 15 dias. A expectativa no Brasil era que ela passasse por duas ou três cidades da costa do norte e nordeste, para então fazer a travessia do Atlântico até a costa oeste da África. Era quase certo que as paradas programadas seriam em Belém, provavelmente dia 3 de junho, depois Natal e Fortaleza. O Lockheed-Electra estava registrado sob a identificação 10E NC/16.020 e tinha capacidade de 4.800 litros de gasolina, sendo 1.600 em suas asas e o restante na fuselagem. Era idêntico aos aparelhos utilizados na ponte aérea entre Rio de Janeiro e a cidade de Belo Horizonte, e podia atingir a altitude máxima de 9.000 metros.

 

No dia marcado, primeiro de junho, posou para fotos e se despediu do seu marido George Palmer Putnam, que cumprimentou o navegador e operador de rádio, companheiro de viagem de Amélia, o capitão Fred Noonan. Saiu de Miami às 5 horas e 50 minutos daquele dia e chegou às 2 horas e 30 minutos em São José de Porto Rico, no mesmo dia, nos horários locais. Um detalhe importante: segundo a Associated Press, além das provisões, o aparelho levava paraquedas, botes e cintos salva-vidas, “para a eventualidade de uma descida forçada”.

 

Foto 14. Amélia Earhart dá adeus a seu marido George. 1937. Fotógrafo e data desconhecidos. Imagem de internet.
Foto 14. Amélia Earhart dá adeus a seu marido George. 1937. Fotógrafo e data desconhecidos. Imagem de internet.

Na quarta-feira, dia 2 de junho, o Electra aterrissou às 11 horas e 18 minutos em Caripito, Venezuela, horário do Rio de Janeiro. Era uma pequena localidade, envolta em uma floresta espessa, onde ocorria embarque de óleo bruto. O local possuía uma estação com casa para visitantes, pertencente à Standard Oil Co., onde a tripulação ficou hospedada. A aventureira foi recebida por autoridades locais e uma pequena aglomeração de populares. A intenção era chegar a Paramaribo no mesmo dia, mas devido ao atraso causado pela baixa velocidade desenvolvida na travessia, os planos foram adiados.

 

Foto 15. Amélia desembarca em Caripito, Venezuela. 1937. Fotógrafo desconhecido. Imagem de ineternet.
Foto 15. Amélia desembarca em Caripito, Venezuela. 1937. Fotógrafo desconhecido. Imagem de ineternet.

Perto das duas horas do dia 3, o avião aterrissou no aeródromo de Zandery, Guiana Holandesa, após mais de 5 horas de viagem. Ela foi recebida por autoridades, fez agradecimentos de praxe, observou a paisagem local e verificou o estado do avião. De lá, a aviadora e seus companheiros de viagem pegaram um bonde elétrico até Paramaribo. Sua intenção era testar o avião, arriscando um salto de 1.600 milhas até Natal, Rio Grande do Norte, com as opções de Belém do Pará e Fortaleza, estado  do Ceará. Assim sendo, as duas cidades alternativas se preparavam para a possível visita de Amélia. A mesma Standard Oil possuía um posto em Belém e seus funcionários ficaram em prontidão.

 

Foto 16. Chegada de Amélia em Paramaribo. 1937. Fotógrafo desconhecido. Acervo Stichting Surinaams Museum
Foto 16. Chegada de Amélia em Paramaribo. 1937. Fotógrafo desconhecido. Acervo Stichting Surinaams Museum

Amélia partiu de Paramaribo pouco depois das 7 horas da manhã e aterrissou seu avião na cidade de Fortaleza, estado do Ceará, no dia 4 de junho de 1937, numa tarde de sexta-feira, por volta de 5 horas e 15 minutos (em outras fontes, 4 e meia da tarde), em um campo militar. O monoplano fez manobras sobre o campo e desceu suavemente na pista. Enquanto manobrava o aparelho no campo, o avião foi cercado por populares e pelo chefe de esquadrilha militar local, capitão José Macedo Grande. Uma vez estacionado, a portinhola do bimotor Lockheed se abriu e desembarcaram Amélia e o mecânico, navegador e operador de rádio,  Fred Noonan. Mostrando-se motivada, sorridente e atenciosa, foi entrevistada duas vezes pelo jornalista Gilberto Câmara, da United Press, e recebida por autoridades brasileiras e representantes de empresas americanas.

 

Foto 17. O Electra em Fortaleza. 1937. Fotógrafo desconhecido. Acervo Fortaleza Nobre.
Foto 17. O Electra em Fortaleza. 1937. Fotógrafo desconhecido. Acervo Fortaleza Nobre.
Foto 18. Amélia e o capitão Noonan em Fortaleza. 1937. Fotógrafo desconhecido. Acervo Fortaleza Nobre.
Foto 18. Amélia e o capitão Noonan em Fortaleza. 1937. Fotógrafo desconhecido. Acervo Fortaleza Nobre.

A aviadora se deteve por alguns minutos no campo de pouso e observou minuciosamente o estado da aeronave. Uma vez convencida da integridade do aparelho, tomou um automóvel para suas acomodações na cidade, no Excelsior Hotel. Em seus aposentos, concedeu uma entrevista para o enviado especial do jornal A Noite, do Rio de Janeiro. Na ocasião, respondeu que seus interesses eram apenas pessoais, em conhecer novas paisagens, pessoas e cumprir sua meta, sem motivações comerciais. Nos seus planos, gostaria de decolar no mesmo dia para Natal, mas um temporal prolongado a deteve e resolveu permanecer na cidade. Foram mais três dias de passeios pela cidade com Noonan e o diretor da companhia Standard Oil Company. Acrescentou que os próximos destinos eram a cidade de Dakar e aeródromos na Índia e na Austrália. Após isso, partindo da grande ilha para o arquipélago do Havaí, aterrissaria em Honolulu. Depois, uma grande viagem para a costa oeste dos EUA e de lá até Nova Iorque, onde encerraria o “raid”. Ainda restou tempo para falar da “navegação aérea” na parte setentrional do Brasil, que julgou “perfeitamente realizável”. O jornal lembrou que a Panair do Brasil já executava rotas naquela porção do território, regularmente.

 

Foto 19. Cartão Postal do Excelsior Hotel. Fortaleza, Ceará. Sem data, fotógrafo desconhecido. Imagem de
Foto 19. Cartão Postal do Excelsior Hotel. Fortaleza, Ceará. Sem data, fotógrafo desconhecido. Imagem de
Foto 20. Amélia desembarca em Fortaleza. 1937. Jornal Diário Carioca. Fotógrafo desconhecido. Acervo BNRJ
Foto 20. Amélia desembarca em Fortaleza. 1937. Jornal Diário Carioca. Fotógrafo desconhecido. Acervo BNRJ

No dia 5 daquele mês, Amélia passou a manhã no campo de aviação, orientando os técnicos para limpeza e regulagens no aparelho. Sua próxima parada foi a cidade de Natal, no estado do Rio Grande do Norte, onde chegou às seis horas e 47 minutos da manhã de domingo, dia 6. A Air France tinha um aeródromo em Natal, com pista de campo de terra arenosa, chamado Parnamirim.

 

Foto 21. Amélia dá entrevista em Natal. 1937. Fotógrafo deconhecido. Acervo AP.
Foto 21. Amélia dá entrevista em Natal. 1937. Fotógrafo deconhecido. Acervo AP.
Foto 22. Amélia  em Natal. 1937. Jornal A Noite. Fotógrafo deconhecido. Acervo BNRJ
Foto 22. Amélia em Natal. 1937. Jornal A Noite. Fotógrafo deconhecido. Acervo BNRJ

“Após cerca de dez horas de voo, fiquei feliz em ver Fortaleza exatamente onde deveria estar, de acordo com os mapas, entre as montanhas e o mar, em uma planície arenosa e marrom, no arco de uma reentrância em forma de crescente, a oeste do Cabo Mucuripe. Fortaleza é uma cidade de 100.000 habitantes, uma metrópole poderosa cujo nome poucos de nós na América do Norte sequer ouvimos falar. Em minha própria ignorância, eu havia pensado em Natal como um lugar mais importante. Isso, claro, porque Natal desempenha um papel tão importante em assuntos de aviação. O aeroporto de Fortaleza era tão bom que decidimos fazer os preparativos finais para a travessia do Atlântico Sul lá, em vez de em Natal, o ponto de partida real para esse trecho tão percorrido”.

  

O grande desafio era dar o grande salto sobre o Atlântico sul, num voo de 36 horas até Dakar, no Senegal, costa oeste da África. Os funcionários da Air France garantiram todo o apoio, por meio de comunicação, para a segurança de voo da aventureira. Na travessia do Atlântico, ela manteria comunicação com Natal, Dakar (a estação de rádio de São Luís do Senegal), mais dois navios franceses de patrulha e a estação suplementar de Cabo Verde. Em Dakar, Amélia encontraria duas pistas de 180 pés de largura e mais meia milha de comprimento. O perigo estava na Zona de Convergência Intertropical, o “Pot au Noir” do Equador Terrestre, uma faixa de instabilidade e tempestades repentinas que se estende de 5 graus de latitude norte até 5 graus de latitude sul, a oeste do rochedo de São Pedro e São Paulo. O Electra levantou voo da cidade de Natal às 3 horas e 16 minutos da manhã do dia 8 rumo ao Senegal, mas aterrissou em São Luís, ao norte de Dakar, às 4 horas e 35 minutos da tarde (19h35m, hora da costa africana), percorrendo aproximadamente 3.048 quilômetros. Em São Luís, Amélia aproveitou para estudar mapas na sede da Air France. Já em Dakar, ela explicou o motivo de ter aterrissado em São Luís. O aparelho de sinalização do avião passou a funcionar mal durante a viagem e a tripulação não conseguiu se comunicar com a Air France e, devido à má visibilidade, resolveu desistir de pousar em Dakar.

 

[foto 23]

Foto 23. Carta náutica de Fred Noonan para um trecho do voo de Natal a Dakar. Arquivos da Universidade Purdue.
Foto 23. Carta náutica de Fred Noonan para um trecho do voo de Natal a Dakar. Arquivos da Universidade Purdue.
Foto 24. Amélia pula do cockpit do Electra em Dakar, Senegal. 1937. Fotógrafo desconhecido. Acervo Purdue University Libraries
Foto 24. Amélia pula do cockpit do Electra em Dakar, Senegal. 1937. Fotógrafo desconhecido. Acervo Purdue University Libraries

De Dakar, no Senegal, no dia 10, Amélia tentou voar para Niamey, no atual Níger, mas os ventos fortes a fizeram desviar a rota para Gao, no Mali. No dia 11, deixou Goa em direção ao Forte Lamy, no Chade, antiga África Equatorial Francesa. Sem grandes atrasos, um dia após, nova viagem, agora em direção a Cartum, no Sudão. Próxima parada, Karachi, na Índia Britânica, atual Paquistão. Amélia chega a Calcutá, no aeroporto de Dum-Dum, no dia 17 de junho. No mesmo dia, atingiu a antiga Birmânia, aterrissando em Akyab, hoje Yangon, no dia seguinte. Decolou rumo a Bangkok, Singapura. Na sequência, no dia 25, a aviadora voou para Surabaia, em Java Oriental, e fez mais uma escala em Kupang, Timor, na Indonésia. No dia 28 de junho, aterrissou em Port Darwin, Austrália. Após  dias de mau tempo, partiu em 2 de julho de Lae, na Nova Guiné, rumo à ilha de Howland,  uma ilhota insignificante ao norte de Fiji, perdida no oceano Pacífico. O resto da história é de conhecimento público e cheia de teorias da conspiração. A minha preferida: estaria Miss Earhart mapeando rotas e sondando bases para operações americanas às vésperas do país se engajar na Segunda Grande Guerra? Amélia, o restante da tripulação e o avião jamais foram encontrados. No dia 12 de julho, as esperanças de resgate ou contato desapareceram. A busca foi oficialmente encerrada no dia 16. Dia 18, a Marinha dos EUA declarou a aviadora e a tripulação como mortas, oficialmente.

 

Foto 25. Uma das últimas fotos do Electra, partindo de Lae, Nova Guiné. 1937. Fotógrafo desconhecido. Imagem de Internet
Foto 25. Uma das últimas fotos do Electra, partindo de Lae, Nova Guiné. 1937. Fotógrafo desconhecido. Imagem de Internet
Foto 26. Ilha H
Foto 26. Ilha H
Foto 27. George Putnam ao telefone, aguarda, inutilmente, uma boa notícia que nunca chegará. 1937. Jornal A Noite. Fotógrafo desconhecido. Acervo BNRJ.
Foto 27. George Putnam ao telefone, aguarda, inutilmente, uma boa notícia que nunca chegará. 1937. Jornal A Noite. Fotógrafo desconhecido. Acervo BNRJ.

 

 

*BNRJ = Acervo da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.


Flavio Santos


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