Adeus a Peppino di Capri: a despedida de um dos maiores ícones da música italiana
- Revista do Villa

- 11 de jul.
- 3 min de leitura
Intérprete de clássicos como Champagne e Roberta, o cantor deixa um legado de mais de seis décadas e uma influência que ultrapassou as fronteiras da Itália.

O cantor, pianista e compositor italiano Peppino di Capri, um dos maiores nomes da música popular italiana do século XX, morreu neste sábado (11), aos 86 anos, em sua ilha natal, Capri, no sul da Itália. A morte foi confirmada pela família e por veículos da imprensa italiana. Até o momento, a causa oficial da morte não foi divulgada.
A imprensa local informou apenas que o artista enfrentava uma doença havia algum tempo.
Nascido Giuseppe Faiella, em 27 de julho de 1939, Peppino di Capri iniciou sua relação com a música ainda na infância. Aos quatro anos, já tocava piano para soldados norte-americanos estacionados na ilha de Capri durante a Segunda Guerra Mundial. Na década de 1950, formou o grupo Peppino di Capri e i suoi Rockers, tornando-se um dos primeiros artistas italianos a incorporar o rock'n'roll e o twist à tradicional canção napolitana.
Sua carreira ganhou projeção internacional com sucessos como Roberta, Champagne, Saint Tropez Twist, Un grande amore e niente più, Mai e Non lo faccio più. Ao longo da trajetória, venceu o tradicional Festival de Sanremo duas vezes, em 1973 e 1976, além de representar a Itália no Festival Eurovisão da Canção, em 1991, interpretando Comme è ddoce 'o mare, em dialeto napolitano.

Uma carreira que atravessou gerações
Peppino di Capri permaneceu ativo por mais de 60 anos, lançando dezenas de álbuns e mantendo uma agenda de apresentações até os últimos anos de vida. Um dos momentos marcantes de sua carreira foi ter sido escolhido como ato de abertura dos Beatles durante a passagem da banda britânica pela Itália, em 1965, evidenciando o prestígio que já possuía na cena musical europeia.
Além de modernizar a música italiana ao fundir elementos do rock, do twist e da canção napolitana, Peppino também gravou músicas em diferentes idiomas e ajudou a popularizar a cultura italiana em diversos países. Suas canções tornaram-se presença constante em rádios, trilhas sonoras, festas e celebrações, especialmente Champagne, considerada um dos maiores clássicos da música romântica italiana.

Em janeiro de 2025, Peppino di Capri lançou sua primeira e única autobiografia, intitulada Un grande amore e niente più – La mia vita, la mia musica, i miei amori ("Um Grande Amor e Nada Mais – Minha vida, minha música, meus amores").
A obra foi publicada pela Compagnia Editoriale Aliberti e escrita em colaboração com
Alessandro Di Nuzzo e Fulvio Iannucci.
Segundo a apresentação oficial da obra, o objetivo de Peppino não era apenas contar sua carreira, mas mostrar como sua trajetória se confundia com a de milhões de italianos.
O artista parte de suas lembranças pessoais para reconstruir um período marcante da história do país, defendendo que seus "primeiros 85 anos", de certa forma, também pertencem ao público que acompanhou sua música ao longo das gerações.
Última apresentação
Embora tenha reduzido o ritmo de trabalho por causa da saúde, Peppino di Capri fez uma de suas últimas apresentações públicas no verão europeu de 2025, quando surpreendeu o público ao interpretar Champagne em um evento realizado na Certosa di San Giacomo, na ilha de Capri, acompanhado pela banda liderada por seu filho, Edoardo Faiella. A apresentação foi recebida com uma longa ovação.
Sua última aparição pública ocorreu em maio de 2026, em um encontro familiar realizado em Capri, durante a comemoração dos 90 anos de sua irmã, Margherita.
Um legado além da Itália
Poucos artistas italianos conseguiram construir uma carreira tão duradoura quanto Peppino di Capri. Seu trabalho ajudou a renovar a música italiana ao aproximá-la das tendências internacionais sem abandonar suas raízes.
Essa combinação fez dele um dos principais embaixadores da cultura italiana no exterior.
Na Europa, foi reconhecido como um dos grandes intérpretes da canção romântica italiana. Na América Latina, especialmente no Brasil, conquistou um público fiel, realizando diversas turnês ao longo da carreira e tornando sucessos como Champagne e Roberta familiares a várias gerações. Sua influência também alcançou músicos interessados em unir tradição e modernidade, consolidando-o como uma referência da música popular europeia.
Com sua morte, a Itália perde uma de suas vozes mais emblemáticas. O artista deixa filhos, netos, uma discografia que atravessa mais de seis décadas e um repertório que continua a emocionar ouvintes em diferentes partes do mundo. Seu legado permanece vivo como um dos capítulos mais importantes da história da música italiana.
Redação

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